O termo "Síndrome de Burnout" foi desenvolvido na década de setenta nos Estados Unidos por Freunderberger. Burnout é uma palavra de origem inglesa, que pode ser traduzida como “queima após desgaste”. Refere-se a algo que deixou de funcionar por exaustão
Síndrome de Burnout vem como reação ao stress crônico laboral, trata-se de uma experiência subjetiva interna que reúne sentimentos e atitudes de aspectos negativos para o individuo, resultando em problemas e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para o individuo e para a organização. È característico em profissões de ajuda, ou seja, pessoas que mantêm, em decorrência de sua profissão, contato direto e contínuo com outros seres humanos como: policiais, enfermeiros, professores, terapeutas ocupacionais e psicoterapeutas (SILVA, 2000).
A Síndrome de Burnout é entendida, como um conceito multidimensional envolvendo três componentes: Exaustão Emocional: sensação de esgotamento, de falta de energia e de recursos emocionais próprios para resolver os problemas diários; Despersonalização: é o resultado da ocorrência de sentimentos e atitudes negativas para com a pessoa de que cuida (alunos, pacientes, clientes), dirigindo se a elas com indiferença, frieza, ironia e cinismo, ou seja, uma “coisificação” da relação, sendo este o fator interpessoal de burnout; e Reduzida Realização Profissional: sentimentos de insatisfação profissional, de fracasso laboral, baixa auto-estima, desmotivação e diminuição da eficiência no trabalho (ABREU et. al., apud CODO, 2002).
As principais características individuais desencadeadoras do burnout são pessoas empáticas, sensíveis, humanas, dedicadas profissionalmente, idealistas, altruístas, obsessivas e entusiastas.
O desenvolvimento dessa síndrome ocorre de maneira lenta e gradual. A manifestação de burnout pode ser disposta em três momentos, primeiramente, as demandas de trabalho são maiores que os recursos materiais e humanos, o que gera o stress laboral; no segundo momento, o indivíduo se esforça para adapta-se e produzir uma resposta emocional para o desajuste percebido, mostrando sinais de fadiga, tensão, irritabilidade e ansiedade, reduzindo o seu interesse e responsabilidade pela função; por último, o sujeito produz uma troca de atitudes e condutas para defender-se das tensões experimentadas, ocasionando comportamentos de distanciamento emocional, rigidez e cinismo (Silva, 2000).
Segundo Cardoso e Guimarães (2003), os sinais e sintomas presentes na Síndrome de Burnout, podem ser físicos, de conduta e psicológicos. Os sinais e sintomas físicos que podem ser apresentados pelo indivíduo são similares aos do estresse ocupacional. Alguns sintomas que podem se apresentar são: a fadiga, a sensação exaustão (cansaço crônico), indiferença ou frieza, sensação de baixo rendimento profissional, freqüentes dores de cabeça, distúrbios gastrintestinais, alterações do sono (insônia) e dificuldades respiratórias.
Sintomas de conduta, em que existem graves alterações no comportamento que usualmente afetam aos colegas, pacientes, familiares de pacientes e inclusive seus próprios familiares.
Sintomas psicológicos, tais como, trabalhar cada vez de forma mais intensa, sentimento de impotência frente a situações de vida ocupacional, sentimento de confusão e inutilidade, irritabilidade, pouca atenção a detalhes, aumento do absenteísmo ocupacional, aumento do sentimento de responsabilidade exagerada ou fora de contexto frente à situação de enfermidade do paciente, atitude negativa, rigidez, baixo nível de entusiasmo, e levar para casa os problemas do trabalho. Além disso, o consumo de álcool e drogas, como uma forma de amortecer os efeitos do cansaço e esgotamento.
Uma observação importante é não igualar ou confundir estresse com a Síndrome de Burnout. O estresse é o resultado de uma reação que o organismo tem quando estimulado por fatores externos desfavoráveis, em que a situação exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em risco o seu bem-estar. Nem sempre ele é prejudicial, no entanto se prolongado torna-se uma das causas do esgotamento que pode levar ao burnout (SILVA, 2000).
Para prevenir ou fazer frente a esta síndrome, inicialmente deve-se identificar as possíveis fontes de burnout, em seguida, expor estratégias que privilegiam a saúde e qualidade de vida no organizacional, tais como: transformar o ambiente de trabalho em um contexto saudável; propiciar o fortalecimento pessoal e coletivo, desenvolvendo capacidades de lidar com o estresse, valorização pessoal e grupal, controle das situações de conflito, modificando o contexto e canalizando necessidades e aspirações; desenvolver redes de apoio social; e implementar recursos, pessoais e ambientais, que propiciem melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores (SARRIERA, 2007).
Referências Bibliográficas
CARDOSO,W. L. C. D; GUIMARÃES, L. A. M.. Atualizações sobre a síndrome de burnout. 2003.
CODO, W. Educação: carinho e trabalho. Burnout, a síndrome da desistência do educador, que pode levar a falência da educação. Editora vozes, 3ª ed, 2002. Petrópolis – RJ.
Sarriera, J. c. A Síndrome de Burnout: a Saúde em Docentes de Escola Particulares. Disponível em: <http://www.sinpro-rs.org.br/cepep/palestraSimproburnout.doc>. Acesso em: 23 de maio de 2007.
SILVA, F. P. P. Burnout: um desafio à saúde do trabalhador. Vol. 2. Número 1, junho de 2000. Revista de psicologia social e institucional. Universidade Estadual de Londrina.
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