A vice-prefeita Gláucia Boaretto recebeu, no dia 03 de junho de 2009, o coordenador da Comissão Nacional de Energia Nuclear em Poços de Caldas, Antonio Luiz Quinelato e o chefe administrativo da CNEM, Carlos Henrique de Miranda. O objetivo da visita foi esclarecer as notícias veiculadas na imprensa local nos últimos dias sobre as atividades da comissão no município. O secretário adjunto de Planejamento, o engenheiro Misael de Mendonça, também participou do encontro.
O trabalho da CNEM voltou às páginas dos jornais depois do pedido de informação feito pelo presidente da Câmara de Poços de Caldas, vereador Marcus Togni (PPS), questionando os riscos oferecidos à população por um carregamento de torianita recebido pela unidade da comissão em Poços. A torianita é um material radioativo que tem 75% de tório, 7,5% de urânio e 10% de óxido de chumbo em sua composição.
“Nós viemos esclarecer a prefeita em exercício e dizer que esse minério veio para o nosso laboratório para que seja estudado. Não temos um depósito de torianita no laboratório de Poços. O material está armazenado em um depósito de materiais radioativos em geral. Também viemos esclarecer que não estamos expondo a população do município a nenhuma condição de risco, até para tranquilizar o Executivo em relação a isso”, explicou o coordenador da CNEM, Antonio Luiz Quinelato.
A vice-prefeita propôs a formação de uma comissão composta por vereadores e representantes do Executivo e de universidades para visitar a unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear e avaliar a segurança do trabalho desenvolvido. “Segundo a afirmação dos diretores, nós não vemos nenhum risco para a população no momento. Acreditamos que a CNEM está cumprindo com a sua proposta enquanto laboratório de análise e pesquisa. Cabe esclarecer que é sim um fato preocupante para o município ter esse estoque. Por isso, é importante conhecer as atividades da comissão para que nós possamos avaliar se vale a pena criar uma lei para inibir a atividade no município, fechando o laboratório. O que nos foi colocado agora é que não há nenhum risco para a nossa população e isso nos tranquiliza”, destacou Gláucia Boaretto.
Em Poços, não há legislação específica sobre o assunto. De acordo com a vice-prefeita, existe apenas a Lei 4.748, de 19 de julho de 1990, que dispõe sobre o transporte, manuseio e armazenagem de cargas perigosas.
O diretor da CNEM reafirmou a legalidade das ações da unidade em Poços de Caldas e convidou a vice-prefeita para que conheça as instalações da comissão. “Nós estamos de porta abertas, somos um órgão transparente para receber os parlamentares e também o Executivo. Não temos nada a esconder, somos um órgão público federal com responsabilidade. Inclusive é missão de Estado da Comissão Nacional de Energia Nuclear atuar junto a instalações, clínicas, hospitais, no sentido de que a utilização de material nuclear e radioativo seja feita de maneira segura para a população, para o meio ambiente e para os trabalhadores”, ressaltou.
CNEM
A unidade da CNEM em Poços emprega 64 servidores federais, além de bolsistas, estagiários e trabalhadores terceirizados, que totalizam 97 pessoas. A comissão atua em ações reguladoras, fiscalizando instalações nucleares, como a INB, hospitais e clínicas. Há também atividades de pesquisa, principalmente que envolvam minérios de urânio e tório. “Pesquisar a torianita está dentro do nosso escopo de trabalho”, enfatizou o coordenador da CNEM, Antonio Luiz Quinelato.
“Também pesquisamos a questão da radioatividade natural do planalto de Poços de Caldas e a influência no meio ambiente, já que ela é anômala, sendo mais elevada que em outros municípios. Atualmente, estamos conduzindo um estudo junto à Secretaria Estadual de Saúde e ao Inca (Instituto Nacional do Câncer) para ver se existe alguma correlação de incidência de casos de câncer no município com a questão da radioatividade natural”, informou Quinelato.
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