O prefeito Paulo César Silva está estudando a possibilidade de instituir o Dia do Saci em 31 de outubro, em substituição ao Hallowen, o Dia das Bruxas. “Trata-se da valorização de um mito genuinamente brasileiro”, destaca o prefeito. O movimento já é nacional e foi lançado pelo escritor Mouzar Benedito, que abordou o assunto durante palestra proferida na última terça-feira, durante a 4ª Feira Nacional do Livro, que acontece no Espaço Cultural da Urca.
O tema da palestra, na verdade, abordou o período da Ditadura Militar, no qual o jornalista e escritor participou ativamente, na imprensa alternativa. O prefeito foi quem abordou a questão do Saci,interessado em adotar o dia do Saci em Poços de Caldas e também divulgar o tema para a plateia.
Conterrâneos de Nova Rezende (MG), o prefeito e o escritor são amigos de longa data e o movimento em prol do Saci já era conhecido por Paulo César. “Agora, como prefeito, tenho a oportunidade de inserir Poços de Caldas no contexto das cidades, como Florianópolis, que já adotaram o 31 de outubro como o Dia do Saci”, informa o prefeito.
No site www.sosaci.org, podem ser encontrados o manifesto, a ata de fundação e a carta de princípios da Sociedade dos Observadores do Saci- SOSACI, que foi criada em São Luiz do Paraitinga, em 2004, e que reúne os interessados em valorizar e difundir a tradição oral, a cultura popular e infantil, os mitos e as lendas brasileiras. Seus integrantes acreditam no Saci, na Iara, no Boto, no Curupira, na Cuca, no Boitatá e nos demais entes do folclore nacional.
O objetivo da associação não é caçar nem manter em cativeiro o Saci ou qualquer dos seus parceiros da tradição popular. A meta da SOSACI, como o próprio nome indica, é observar e estudar o insigne perneta e seus companheiros, em suas diversas manifestações, e divulgá-los por meio de textos, músicas e outras artimanhas. Busca, ao mesmo tempo, promover e incentivar a leitura e elaboração de obras comprometidas com nossos valores e raízes.
Mascote de 2014
A proposta mais ousada da SOSACI é lançar o indiozinho que virou negro, foi escravizado e preferiu cortar uma de suas pernas a ficar preso numa corrente, como o mascote da Copa do Mundo 2014, que será realizada no Brasil. O site promove um abaixo-assinado e defende a idéia nos seguintes termos:
“- Ele é a síntese da formação do povo brasileiro:
É o mito brasileiro mais popular, o único conhecido no Brasil inteiro (Boitatá, Curupira e mesmo a Iara requerem explicações quando a gente fala deles, em alguns lugares. O Saci não).
É o típico brasileiro: mesmo pelado e deficiente físico, é brincalhão e gozador.
E tem mais:
- no início era um indiozinho protetor da floresta. Tinha duas pernas.
- depois foi adotado pelos negros e virou negro. A perda de uma perna tem
várias histórias. Uma delas é que ele foi escravizado, ficou preso pela perna, com grilhões, e cortou a perna presa. Preferiu ser um perneta livre do que escravo com duas pernas. É um libertário, então.
- dos brancos, ganhou o gorrinho vermelho, presente em vários mitos europeus. O gorrinho vermelho era também usado pelos republicanos, durante a Revolução Francesa. Na Roma antiga, os escravos que se libertavam ganhavam um gorrinho vermelho chamado píleo.
Só não tem orientais nessa história porque eles chegaram mais tarde, já no século XX. Mas dizem que já foi visto um Saci de olhinhos puxados, no bairro da Liberdade, o Sashimi.
Já pensou o Saci em camisetas no mundo inteiro? Ele provocaria muito interesse dos outros povos para a cultura popular brasileira. Coisa que esses símbolos bestas (como o dos Jogos Panamericanos) não fazem." (texto de Mouzar Benedito)
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