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DANILO OLIVEIRA - Presidente da AME Poços de Caldas
Leia, aqui a íntegra da entrevista que o DATA fez sobre a Fé Espírita.
Trata-se de um papo enriquecedor e declarações reveladoras. Aproveite!

DATA MUNDO – Qual é, na verdade, a função dos centros espíritas? E como o senhor espera que a sociedade os veja?

DANILO OLIVEIRA - Os Centros Espíritas têm diversas e amplas funções mas, dentre elas, destacamos suas atividades de posto de atendimento fraternal, de pronto socorro espiritual, de escola de formação espiritual e moral além da função de recanto de paz e caridade. Em relação à sociedade, esperamos que os Centros Espíritas sejam vistos tal como são: Despidos de qualquer interesse material em benefício de quem quer que seja que esteja à frente ou envolvidos em seus trabalhos e, que acima de tudo, o “Deus, Cristo e Caridade” seja sempre a bandeira a ser vista à frente da tarefa empreendida pelos Centros Espíritas em todas as épocas.

DATA MUNDO – Num passado não muito distante, pessoas auto-denominadas líderes do movimento no Brasil divulgaram experiências envolvendo cirurgias espirituais que beiraram ao charlatanismo. O senhor imagina que tal comportamento respingou nas casas e nas lideranças sérias ligadas ao movimento espírita?

DANILO OLIVEIRA - Acredito que estas práticas, sem que estejam sob fundamento e as bases sólidas da Doutrina, colaboram para que as idéias pré-concebidas e as más interpretações não sejam dissipadas. As lideranças sérias permanecem no trabalho edificante e sob a égide da mensagem Cristã, independentemente da opinião daqueles que generalizam sem o conhecimento de causa.

DATA MUNDO – Recentemente o Movimento Gay do Brasil preconizou ações contra setores do movimento evangélico. Como o Movimento Espírita encara o homossexualismo?

DANILO OLIVEIRA - Este assunto é bastante complexo e encontra raízes nas existências pretéritas e não é um assunto que se possa abordar rapidamente de forma que se faça claro. Entendemos, porém, que a Doutrina Espírita é a que melhor esclarece sobre o tema e, desde que analisada sem preconceitos machistas e/ou feministas, oferece grande conforto. Abusos de qualquer natureza refletem em nossa consciência pontos que demandarão, no futuro, sua devida reparação. Isso nos impele hoje a bem plantar para que possamos desfrutar de boa colheita no amanhã.

DATA MUNDO – Por que o Espiritismo está longe de ter o mesmo crescimento que tem tido, por exemplo, o movimento evangélico brasileiro? Como se explica esta situação?

DANILO OLIVEIRA - Acreditamos que o Espiritismo cresça gradativamente para que suas raízes sejam lançadas mais profundamente na intenção de se evitar os problemas de um avanço massivo. Allan Kardec já nos advertia quanto à criação de pequenos grupos ao invés de grandes agregações com seus perigos e complicações pertinentes. Certa feita, conversando com Divaldo Pereira Franco, a respeito dessa questão sobre como atrair mais adeptos para o Espiritismo, obtivemos a seguinte resposta: “(...) A melhor maneira de atrairmos pessoas sensatas é continuarmos trabalhando com seriedade evitando que o Espiritismo seja um espetáculo de divertimento com pessoas insensatas que atraiam grande massa, mas que não ofereçam qualidade ao conteúdo da doutrina para que não se transforme num clube de divertimentos ao invés de uma proposta de alta responsabilidade moral”.

DATA MUNDO – O corredor que interliga a evangelização espírita às ações sociais precisa, de fato, ser percorrido por quem professa a fé espírita?

DANILO OLIVEIRA - A partir da evangelização, seja ela em qualquer seguimento religioso que promova a melhoria moral, (Evangélico, Espírita, Católico, Budista, etc) fortalecem-se as estruturas do trabalho de assistência ao próximo e, desde que ele seja iniciado na infância e consagrado pelo “exemplo” daqueles que servem de modelo (pais, avós, tios, etc), torna-se melhor absorvido e praticado. Fora deste âmbito, o caminho torna-se mais hostil, por haver-se incrustado sentimentos materialistas e egoístas, e quase sempre apenas um chamamento mais incisivo (perda de um ente querido, algum acontecimento traumático, etc) faz com que o ser desperte para a atitude assistencial.

DATA MUNDO – Por que, diferentemente de evangélicos, por exemplo, defensores do Movimento Espírita ainda defendem à meia-boca a fé escolhida por eles?

DANILO OLIVEIRA - Em nosso pensamento particular, faltam, em nosso meio, pessoas de “opinião”. Não queremos dizer que devamos ser intransigentes e intrigantes. Porém, é necessário que não componhemos um setor omisso, permitindo toda e qualquer forma de abuso por qual segmento for.  É prática de muitos espíritas esquivarem-se de compromissos públicos que não sejam em meios Espíritas, abrindo espaço para que pessoas desabilitadas e algumas desajustadas representem o Espiritismo. Depois, estes, são os primeiros a se queixarem e a criticarem. Assumamos nosso papel como Espíritas, sabendo que o papel da divulgação da Doutrina é nossa e, não, dos outros, pois se queremos que o Espiritismo seja visto doutrinariamente correto temos, nós, que o conhecemos, fazer o que nos cabe fazer.

DATA MUNDO – Segundo o último senso, menos de três milhões de brasileiros identificam-se como espíritas, quando há algumas lideranças que garantem haver muito mais brasileiros seguidores do movimento. A que, em sua opinião, deve-se essa defasagem na informação oficial?

DANILO OLIVEIRA - O número deve apresentar a realidade. Se consultados aqueles que buscam o auxílio da casa espírita para passes, atendimento fraterno, auxílio evangélico, palestras, e fossem contabilizados como espíritas, esse número certamente seria muito maior. Porém, temos uma grande minoria que declara-se espírita e, mesmo entre esses, são poucos os que professam a Doutrina em seu tróplice aspecto (Ciência, Filosofia e Religião), estando aí grande número de espiritualistas, ou seja, que acreditam haver algo mais além da matéria, mas sem muito conhecimento de causa.

DATA MUNDO – Em seu modo de ver, a “morte” de Chico Xavier enfraqueceu decisivamente o movimento no Brasil?

DANILO OLIVEIRA - De forma nenhuma. Da mesma forma que a morte dos grandes seguidores do Cristo não fizeram enfraquecer-se o Cristianismo. Chico Xavier foi o apóstolo do bem e o grande exemplo a ser seguido por aqueles que buscam contribuir para a construção de um mundo melhor.

DATA MUNDO – Em Poços de Caldas parece recorrente, se não comum, que gente que freqüenta centros espíritas freqüentem também templos que professam outras religiões. Como o senhor analisa esse fenômeno?

DANILO OLIVEIRA - É muito comum que antes que a pessoa abrace com fé a Doutrina Espírita, ela fique ainda entre as duas ou mais religiões que elegeu para si, pois existe aí uma questão cultural e não há um rompimento brusco nos laços que ligam as pessoas a determinadas crenças. Tal como nossa evolução, esse envolvimento se dará pouco a pouco, dia após dia, até que se encontre firmemente enraizada no ser. Logicamente dentre estes, existem aqueles de interesses imediatistas que identificam a Doutrina como a “casa dos milagres” e, felizmente, o Espiritismo tem cumprido bem seu papel na orientação daqueles que, em desespero, buscam as salas de atendimento fraterno ou o auxílio refazente do passe e da água fluidificada.

DATA MUNDO – No enterro do médium Chico Xavier, vimos pessoas que tocavam sua mão durante o velório, fazendo o sinal da cruz, numa demonstração de serem católicas. Isso leva a crer que Chico Xavier foi uma figura que transcendeu os limites do espiritismo?

DANILO OLIVEIRA - Com muita certeza. O amorável médium de Pedro Leopoldo foi o maior exemplo de que a caridade e o amor ao próximo transcende qualquer barreira de limites humanos, assim como, em nossa cidade (Poços de Caldas), tivemos a figura excelsa de Dona Palmira, estes foram claridades às vistas de todos. Diante de Chico Xavier, vimos pessoas de todos os credos curvarem-se diante de sua autoridade moral, a verdadeira autoridade que transcende os limiares da matéria.

DATA MUNDO – Tem sido bastante comum que tanto a Igreja Católica quanto a Evangélica ocupem espaço na grande mídia, comprando programas de rádio, tevê, etc. Por que, neste aspecto, o movimento espírita parece ser tão comedido?

DANILO OLIVEIRA - Sabemos que estes empreendimentos são onerosos e grandiosos. Vemos que na Doutrina Espírita ainda não dispomos de recursos vultosos para tais ações. Algumas religiões são financiadas por dizimistas assíduos e devotados, além de pessoas convictas que dispõe de grandes cifras e grande influência política e social para que este trabalho seja implantado.  Atualmente o Espiritismo está um pouco mais presente na mídia de grande vulto. Tivemos o grande sucesso de um filme verdadeiramente Espírita (Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito) e não de teor espírita ou espiritualista, o que abrirá campo para novos projetos tal como o filme Nosso Lar que deverá sair do papel muito em breve. Divaldo Franco, embora ainda com tempo reduzido, está presente em um canal de TV aberta (Rede TV – 15hs aos Domingos – Programa Transição), além de iniciativas muito louváveis da TV CEI, da Rede Visão, Rádio Boa Nova, entre muitas outras, além de horários em TV e Rádio em todas as regiões do Brasil. Mais uma vez entendemos que o Espiritismo ainda caminha lentamente, o que faz com que seus passos sejam “fincados” em terra firme.

DATA MUNDO – Tem sido comum o envolvimento de pastores e padres nos processos eleitorais em nossa região. Como as lideranças espíritas vêem essa questão?

DANILO OLIVEIRA - Em alguns segmentos religiosos é muito comum que se empreendam campanhas para que se elejam representantes nos meios políticos em todos os níveis.  Não vemos problemas nesse sentido. Sabemos que os governos precisam de pessoas que conduzam com alta responsabilidade o labor legislativo e político. E melhor será, a nosso ver, que estes meios sejam comandados por pessoas de moral elevada. Desde que estas pessoas eleitas para poder, ajam de conformidade com os interesses públicos, despidos de preferências, preconceitos e munidos de imparcialidade, vemos que estes serão instrumentos do bem. Muitas vezes, porém, suas intenções jazem na consciência e somente o indivíduo terá possibilidade de avaliar que papel está fazendo diante da grande responsabilidade que assumiu. Rogamos sempre que sejam instrumentos dóceis da vontade do Pai direcionados pelo farol do Evangelho de Jesus e que não se comprometam nos arrastamentos do poder.  Sabemos que no meio Espírita há certa cautela sobre estes aspectos, porém, uma vez mais precisamos ser coerentes com a Doutrina, pois muitos de nós Espíritas ainda temos direcionado nossos votos àqueles candidatos com propostas conflitantes ou até favoráveis ao aborto, à pena de morte, à liberação da caça, ao desmatamento entre outras questões contrárias aos princípios das Leis Morais.

DATA MUNDO – O movimento evangélico, sobretudo, exibe uma certa voracidade no sentido de cooptar novos seguidores. A sensação que se tem é a de que o Espiritismo parece ser alheio a essa luta concorrencial. Como se explica a posição de aparente indiferença do Movimento Espirita?

DANILO OLIVEIRA - Realmente o Espiritsmo não tem feito um trabalho ativo na busca de seguidores, por respeitar a individualidade e a vontade de cada um. Não devemos, porém, confundir isso com apatia, pois muitos se esquivam de promover a Doutrina Espírita por receio dos chamamentos e compromissos contidos na doutrina. O exemplo é o maior aliado do espiritismo nesta busca de adeptos sérios, conforme anteriormente citamos o Médium Chico Xavier e podemos citar outros, como Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira, Honório Onofre Abreu, dentre inúmeros outros que são convites ativos à Doutrina Redentora e que, através destes, muitos se tornaram seguidores dedicados. Não devemos coagir para a fé, ela deve despertar no íntimo do ser vivente como a “estrada de Damasco” particular. Alguns se valem de más interpretações para justificar a apatia e a obscuridade, tratando o assunto como tema de uma sociedade secreta que afugenta aqueles que buscam ingressar no meio. Devemos então ser transparentes e testemunhar nossa gratidão abertamente à esta doutrina maravilhosa que tão bem nos faz e tem tanto a oferecer àqueles que ainda não à conhecem.

DATA MUNDO – O dízimo, as doações, a ajuda sempre foram motivo de debate nas hostes católicas e evangélicas. Como o Movimento Espírita debate a questão do dízimo?

DANILO OLIVEIRA - Na Doutrina Espírita, a idéia do dízimo, tal como é fundamentada pelas igrejas em sua maioria, não tem aceitação. Porém, não quer dizer que o Espiritismo funcione sem o auxílio monetário, visto que os espíritos não plasmam dinheiro, não pagam as contas e não fornece todos os recursos do plano físico. Cabe aos Espíritas colaborarem da forma que lhes for possível e espontaneamente para a manutenção do Centro Espírita. Vejamos que o Espírita é aquele que não vive do espiritismo e, sim, para o espiritismo, considerando que o dinheiro que se arrecada não paga salários para médiuns, dirigentes, monitores, presidentes, vice-presidentes, diretores, etc, pois não são funcionários do espiritismo ou comerciantes da fraternidade e, sim, colaboradores abnegados que doam o seu tempo, o seu esforço em favor da causa Cristã que não deve ser remunerada a não ser pela benção do servir.  Mais uma vez insisto: o Centro Espírita tem atividades que consomem recursos de ordem material e, nesse ínterim, precisa ser suprido pelos meios materiais e não pode ser custeado apenas pela pessoa que está à frente do trabalho e, sim, por todos aqueles envolvidos na tarefa comum, a fim de continuar oferecendo o alento àqueles que buscam o conforto da Doutrina Consoladora.

Muita Paz, Sempre!!!