DATA MUNDO – Este é um momento mundial em que se fala muito de sustentabilidade. De que forma é possível uni-la à Construção Civil?
Gustavo T. Bertozzi - Praticando e implementando efetivamente as técnicas e conceitos existentes e já disponíveis no mercado. Historicamente, a boa Arquitetura sempre prescindiu de fatores ligados à sustentabilidade. Em construções mais antigas, o correto aproveitamento dos recursos naturais disponíveis, a maior durabilidade, o melhor conforto para utilização de recursos mais abundantes e próximos do consumo, dentre outros, sempre foram fatores considerados. O caos da vida urbana e as alucinadas necessidades de produção e venda têm sido os fatores que mais contribuíram para que fatores essenciais deixassem de ser considerados nos projetos, garantindo volume em detrimento da qualidade. Hoje, retoma-se mais fortemente a questão da sustentabilidade, pois o nosso referencial indica a ausência desta preocupação. Mas, na verdade, o que se pode fazer para unir tais conceitos à construção civil vem de uma fórmula bastante simples: praticar a boa arquitetura, a boa engenharia e utilizar as boas técnicas.
DATA MUNDO - De que maneira as construções sustentáveis podem, de fato, amenizar os impactos ambientais?
Gustavo T. Bertozzi - Toda produção causa algum impacto ao ambiente em que vivemos. Existem impactos positivos e, na maioria das vezes, impactos negativos. A minoração dos impactos negativos, ou nocivos, ou ainda indesejáveis, serão tanto menores quanto maiores forem as ações adotadas. Dentre inúmeras possibilidades, podemos amenizar impactos utilizando materiais em cujos processos haja menor emissão de carbono para a atmosfera; utilizando ferramentas, dispositivos e sistemas visando à economia e a otimização do uso de recursos tais como: água e energia elétrica, envolvendo desde a simples reutilização de águas servidas, após tratamento, até a implantação de captadores solares, eólicos etc. Primando por técnicas construtivas que aumentem a vida útil do empreendimento imobiliário; por sistemas estruturais onde as instalações sejam mais flexíveis, aumentando a facilidade para futuras reformas; implantando possibilidades na concepção do projeto, para que novas tecnologias sejam plugadas, à medida que tornem-se viáveis; praticando educação ambiental no canteiro de obras, principalmente com colaboradores, vizinhos e escolas; dando correta destinação a resíduos e, mais que isso, praticando possibilidades de redução desses resíduos; promovendo pesquisas tecnológicas para a implementação de novas técnicas e processos que reciclem mais, agridam menos e rendam mais.
DATA MUNDO - Quais as ações efetivas que diferenciam determinadamente uma construção normal de uma sustentável?
Gustavo T. Bertozzi - Diria que a construção normal é a sustentável. O anormal é construir sem que fatores como ventilação natural e iluminação natural sejam considerados. É inconcebível que, meramente a favor de uma pseudo-estética vulgar, uma fachada inteiramente de vidro projetada para face norte seja compensada com equipamentos de ar condicionado. O anormal é fazer apartamentos com o pé-direito (altura entre o piso e o teto) cada vez mais baixo, a favor da redução de custo direto da obra, em detrimento do conforto térmico permanente e, consequentemente do custo permanente com técnicas forçadas de ventilação e redução de temperatura. Anormal é a implantação de milhões de chuveiros elétricos com resistências arcaicas, ao invés do aproveitamento da única fonte absolutamente gratuita de energia ainda existente: o sol. Poderia me perder em outros tantos exemplos. Mas o que realmente diferencia uma construção sustentável de uma anormal é o fato de que, nesta última, a conta nunca está paga e o enorme preço final restará a nossos filhos e netos.
DATA MUNDO - Os empreendimentos sustentáveis parecem ser uma tendência mundial. Você acredita que o consumidor brasileiro está preparado para adquirir imóveis sustentáveis?
Gustavo T. Bertozzi - Sim, sem sombra de dúvidas. E o consumidor brasileiro sempre esteve preparado. Ocorre é que ele nunca soube disso. Quem é que não deseja pagar uma conta menor de água ou de energia elétrica? Quem não gosta de banho quente sem a preocupação com o tempo e com a conta no final do mês? Quem não deseja um apartamento bem iluminado e ventilado, sem ter que acender luzes e ligar o ar condicionado? Quem não quer que seu imóvel dure o dobro do tempo e sem necessidade de constantes manutenções? Quem é que não quer que seu imóvel valorize mais que os demais? Com todo respeito que devo e sem julgamentos pontuais, não estão preparados os corretores, os incorporadores, os especuladores... Esses sim precisam preparar-se, pois inevitavelmente, a engenharia da economia será praticada, cada vez mais, por bem ou por mal, aos custos de elevadas multas e outros ônus indesejáveis que passarão acompanhar as construções de baixo padrão.
DATA MUNDO – Há quem diga que os investimentos em energias renováveis encarecem os imóveis sustentáveis. Como você posiciona-se frente a essa proposição?
Gustavo T. Bertozzi - É um engano achar que investimentos em energias renováveis encarecem a obra. A boa relação custo-benefício, independente das tecnologias utilizadas, deve acompanhar sempre um bom projeto. Vale dizer que, mesmo aplicando-se técnicas ultrapassadas, caso o projeto não seja bem elaborado, os custos iniciais podem ser altíssimos. Por outro lado, projetos bem concebidos, mesmo com utilização de modernos recursos, podem gerar custos diretos mais baixos. Agora, com relação à economia futura, ou melhor dizendo, com relação à economia permanente e duradoura, está composta dos gastos que acompanharão o imóvel por toda a sua vida útil (os chamados custos de manutenção ou condomínio) assim como as taxas de depreciação, esses sim, são absolutamente menores ou, no mínimo, controláveis, nas construções sustentáveis.
DATA MUNDO - A Nexo lança o Residencial Alto das Oliveiras como projeto pioneiro no Sul de Minas. Qual é o seu diferencial?
Gustavo T. Bertozzi - Nenhum edifício do mundo pode ser considerado hoje absolutamente sustentável. Por uma simples razão: a maioria dos materiais utilizados na construção ainda agride de forma descontrolada a natureza. Alguns edifícios possuem maior ou menor grau de atitudes implantadas, a bem da sustentabilidade no uso. Este é o caso do Residencial Alto das Oliveiras. Um edifício de arquitetura consciente e responsável. Não milagrosa! Os principais diferenciais são a possibilidade de redução dos gastos com a operação e manutenção, ao longo da vida útil (menor condomínio); maior conforto de uso; maior valor agregado e, consequentemente, maior valorização, tanto para venda quanto para locação; maior durabilidade; melhor relação custo-benefício; maior flexibilidade quanto à reformas futuras e quanto às possibilidades de escolha ainda durante a obra; e, particularmente no caso do Alto das Oliveiras, um excelente diferencial é constituído no próprio grupo de compradores conscientes que já elegeram esse como sendo o seu novo jeito de viver.
DATA MUNDO - De que maneira o consumidor poços-caldense tem visto os imóveis sustentáveis?
Gustavo T. Bertozzi - Relativamente ao porte da cidade, à consciência de sua população e a iniciativas como a nossa, já percebemos a excelente aceitação do conceito. Como dito anteriormente, todos gostam de coisas boas. Um número cada vez maior de pessoas procura pelo conceito.
Data Mundo – Segundo especialistas do mercado, prédios reconhecidos como “verdes” são mais valorizados no mercado, apresentam velocidade de venda e taxas de ocupação superiores, além de oferecerem uma performance econômica atrativa para compradores e vendedores. Você acha essa afirmação real, verdadeira e desapaixonada?
Gustavo T. Bertozzi - Absolutamente sim! |