DATA MUNDO – Aqui e ali ainda há problemas no relacionamento entre operadores de viagens e os seus clientes potenciais. Como a All Tour tem se programado para evitar que tais impasses ocorram?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - A ALL TOUR reuniu um número privilegiado de fornecedores dos mais variados segmentos e uma parceria com agentes de viagens, com objetivo exclusivo da busca de oportunidades de negócios. Garantimos, assim, a nossa sobrevivência estabelecendo um contato pessoal com empresas e a participação em feiras, eventos, em bolsa de negócios e fantur oferecido por diversos nichos de operadoras, Secretária de Estado – SETUR MG e Ministério do Turismo.
DATA MUNDO – Preparar-se via financiamento é muito mais comum hoje do que fora no passado. Pode-se dizer que a cultura de “programar-se” para o período de descanso ou lazer vem ganhando espaço na vida do sul-mineiro?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - Os mineiros, de modo geral, estão muito bem informados e viajam mais do que a média, sem comparar, é claro, com São Paulo e Rio de Janeiro que ainda são os maiores emissores indiscutivelmente. Com os últimos facilitadores tipo “Turismo para a Melhor Idade” e o cartão Turismo que facilita as viagens em até 12 vezes, as pessoas não estão pensando mais em ficar em casa. Os mineiros em especial, sempre se programam com mais antecedência para uma viagem. Acreditamos que esta movimentação tende a intensificar com a proposta de investimento em marketing que vem se fazendo em todo país mostrando os destinos. O crédito, hoje, é fundamental, e nós do sul de Minas (profissionais) precisamos investir mais em propagandas e em profissionais para que sejamos vistos mais nas prateleiras das agências e operadoras nacionais e internacionais, porque produto não nos falta.
DATA MUNDO – Uma das reclamações mais renitentes é com relação a pacotes que prometem uma coisa e “entregam” outra. Como anda o grau de satisfação da clientela All Tour em relação a este quesito?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - A intenção da diretoria da ALL TOUR é a superação. Trabalhamos muito para que, a cada ano, apresentemos melhores opções para nossos clientes e procuramos sempre os principais fornecedores da indústria turística. Sem esquecer, no entanto, da motivação especial para nossos parceiros e o pensamento do fortalecimento da união da categoria. Trabalhamos com estatísticas que nos comprometem a uma avaliação constante da satisfação do trabalho oferecido e disponibilizado para nossos clientes.
DATA MUNDO – Com a crise mundial que mudou muitos cenários e outro tanto de comportamentos, como o segmento do turismo amoldou-se a estes novos tempos?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - Ciente da importância do setor turístico no Brasil, em 2003 foi lançado, pelo Governo Federal, o Plano Nacional do Turismo (PNT). É o marco para o início do reconhecimento e da importância da atividade turística. Hoje, depois de seis anos, ainda não conseguimos dimensionar direta e indiretamente a abrangência que esta atividade pode oferecer em oportunidade de trabalho e geração de renda. Em 2004, foi contabilizada uma entrada de U$ 1.625 bihão no Brasil, só no primeiro semestre. Segundo o Banco Central, o resultado foi 46,3% maior com do que o gasto com visitantes estrangeiros. Com esta estimativa já no segundo semestre de 2004, o Turismo ocupa uma das primeiras posições no ranking das maiores fontes de entrada de dólares, atrás de produtos como o grão e farelo de soja e minério de ferro. Estes são dados foram contabilizados no início da criação do Ministério do Turismo que reformulou a apresentação do Brasil no exterior e estabeleceu onze produtos turísticos para atrair turistas estrangeiros para o país. A INFRAERO chegou, em 2008, com lucro de R$ 372 milhões, um crescimento de 42,7% em relação a 2007 após investimentos em aeroportos e a participação dos empregados nos lucros , teve um lucro de R$ 154,4 milhões , deste valor 76,3 milhões foram distribuídos para acionistas e R$ 9,5 milhões para ao empregados como participação nos lucros. Os indicadores de produtividade medem de forma qualitativa os resultados. Estes são exemplos reais de que o Turismo move cadeia. Acredito no incentivo ao mercado interno. Ou seja, fazer com que os brasileiros circulem mais no país e consumam mais nossos produtos fazendo, assim, gerar a economia através do Turismo.
DATA MUNDO – Há consumidores que evitam financiamentos mais longos temendo a instabilidade do operador contratado. O que este consumidor deve mirar para evitar um problema de “quebra” ou de baixa resolutividade do operador contratado?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - A lei de proteção ao consumidor deve ser utilizada, embora existam algumas distorções quando se fala em Turismo, como é o caso de emissão de bilhetes por agentes e as companhias aéreas. Em caso de acidente do avião, a agência que vendeu o bilhete poderá ser acionada pela família do acidentado, como co-autora do desastre. E a Lei da Aviação tem leis especificas emanadas do Governo Federal, fazendo das agências são meras intermediárias. Como em todos os setores da economia, podem existir agências que não cumpram com suas obrigações e, então, devem realmente ser penalizadas. Mas também existe um numero grande de passageiros que aproveitam de qualquer motivo irrelevante para entrar com ações judiciais para pedir ressarcimento. Mas a Justiça nos últimos tempos tem reconhecido que as responsabilidades de agências de viagens vão até determinado limite e entram como meras intermediárias. Aí, reside o ponto chave e a equação ideal para o sucesso de uma Agência de Turismo .
DATA MUNDO – Acha que o belo “lay-out” das lojas de alguns operadores e a idéia equivocada de que um grande “tour” é exclusividade dos mais ricos ainda afugentam parte da clientela que se mantém à distância do Turismo?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - Eu acredito que quando somos solicitados ou procurados por um cliente, quando ele vem espontaneamente à nossa agência, este é o nosso maior referencial . E o mais interessante é quando conseguimos transformar uma imagem racional em algo absolutamente emocional que é um “sonho”. Nesta questão acho que devemos sempre procurar o equilíbrio da racionalidade e da emoção. Cada agência tem seu objetivo. Os pacotes são elaborados de forma intangíveis. Apurar resultados é só uma questão de estabelecimento de metas. Os segmentos e pacotes trabalhados variam com a intenção, clima, injeção de ânimo, cultura, e até o treinamento. Portanto, os mecanismos de avaliação variam de acordo com tamanho do objetivo, com a qualidade de público e a forma de se apurar resultados.
DATA MUNDO – Em sua opinião, até que ponto os veículos de comunicação são responsáveis pelo sucesso e pelo fracasso do negócio “Turismo” em nossa região?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - Não posso precisar esta estatística, mas acho que a divulgação de um evento é sempre a melhor maneira para você lançar uma comunicação e também reconhecer pessoas. Devemos dar a oportunidade para as pessoas criarem sua identidade, reconhecerem seu ambiente. Da mesma forma, o evento leva o outro que vem fazer este reconhecimento, e, nesta busca, conhece outras pessoas. Isto é o Turismo. A cultura de uma região tem um valor brutal de reconhecimento. As pessoas sentem-se valorizadas por inteiro e com uma oportunidade sem igual. Traçar um perfil sócio-econômico e cultural para atingirmos objetivos no Turismo em nossa Região também é essencial. Conhecer o público que se quer trabalhar é muito importante porque “o que é muito bom pra uma pessoa pode ser ruim pra outra”. É essencial, quando se fala em comunicação para se atingir o sucesso, “conhecer o público” que se vai trabalhar. Em nossa região, temos uma diversidade de atrativos que podem ser transformados em incentivo como uma ferramenta nobre na alavancagem do Turismo. Porque a essência do incentivo é a produtividade, é a qualidade das pessoas gerando resultados. Desta forma, enobrece-se a atividade. Da mesma forma cria-se status de uma ferramenta de marketing voltada para a qualidade, voltada para o melhor das pessoas e não por impulso simplesmente. Mais uma vez temos que lembrar que trabalhar com o Turismo é trabalhar com a emoção.
DATA MUNDO – O que tem sido mais importante para a All Tour? Facilitar o trazimento de novos turistas para Poços de Caldas ou levar os sul-mineiros para outros roteiros?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - A All Tour é uma agência diferenciada em nossa região. Trabalhamos com o gerenciamento de hospedagem no SESC - Pousada Poços de Caldas - e há dez anos, está focada no receptivo em Poços de Caldas e região, estando credenciada pela Secretaria de Estado SETUR MG, e pelo Minas Recebe no Circuito Turístico Caminhos Gerais. Estamos na qualidade de Agência de Turismo e Viagens devidamente credenciada pelo Ministério do Turismo, com roteiros regionais devidamente aprovados. Nossa tendência é a depuração da necessidade do cliente transformada em realidade. Porém, com profissionalismo e responsabilidade.
DATA MUNDO – O que pesa mais, hoje, no mix de negócios da All Tour? Os roteiros internacionais ou os “tours” dentro do próprio país. E por que esse fenômeno se verifica?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - Nossa proposta é a ampliar nosso trabalho em Poços de Caldas e em Minas Gerais com foco nos Circuitos Turísticos de Minas Gerais, porque “Minas são muitas minas”.
DATA MUNDO – Que reflexos o fortalecimento do real frente a outras moedas internacionais (como o dólar) tem imposto ao negócio do turismo?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - Acredito que o dólar a preço justo irá beneficiar as agências de Turismo Receptivo que recebem os turistas estrangeiros. O número de agências que fazem o Turismo Receptivo no Brasil é relativamente pequeno, visto o universo das agências de viagens. Dólar baixo R$2,00 seria o ideal. Ninguém vai deixar de viajar nessa condição, e estimula a vinda do turista estrangeiro para o Brasil. Para o Turismo Receptivo o importante é uma boa prestação de serviços independente da moeda.
DATA MUNDO - Como vê a ação de autoridades de Poços de Caldas e do sul de Minas no sentido de produzir condições que otimizem o turismo nesta região?
FLÁVIA PIZZOL DOS SANTOS - As autoridades de Poços de Caldas , estão se empenhando junto a uma política do Governo Federal baseado no Plano Nacional do Turismo (PNT) e na proposta do Governo Estadual na questão da Regionalização do Turismo. Poços de Caldas, este ano, conquistou uma visão diferenciada junto a Secretaria de Turismo SETUR, recebendo o Estudo da Competitividade, sendo somente 10 municípios em Minas Gerais escolhidos para este estudo. Neste sentido, o que muda é que Poços de Caldas passa a ser olhada como um destino indutor. Isto significa que nossos Governantes, prefeito, vice-prefeito, secretários de governo, e representantes da iniciativa privada, representantes do Sistema “S”, autoridades militar e civil, foram ouvidos nesse processo inicial. Teremos um grande seminário em agosto deste ano que apresentará os resultados deste estudo e levará a discussão dos gargalos que, hoje, impedem a alavancagem do Turismo em Poços de Caldas. Isto resultará, obviamente, em novos conceitos e novas posturas. Porém, trará uma definição de resultados que farão com que Poços de Caldas se alinhe às expectativas que a população tem e pelas quais o turista procura.
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