Voltar à página inicial
SIDNEY SILVA
Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Controladoria, Sidney Silva, há dois anos,
é o superintendente do Minassul Shopping, em Poços de Caldas, MG. O gestor preconiza um bom 2009.

DATA MUNDO – Em se considerando o tripé vendas, imagem e inserção na sociedade regional, como podemos dizer que foi, de fato, o desempenho do Minassul Shopping em 2008?

SIDNEY SILVA - O desempenho do Minassul Shopping em 2008 se traduz em números: mais de 3 milhões de pessoas circularam pelo mall, houve um crescimento de 15% nas vendas, sendo que, em determinados segmentos, esse número chegou a 46%. Segundo a Alshop (Associação de lojistas de Shopping Center), o setor teve crescimento nominal de 9,5% no ano que passou. Em 2008, o shopping aumentou em 19% sua ABL (Área Bruta Locável) com novas operações, incluindo a inauguração da C&A. Estes dados estatísticos demonstram o posicionamento e a importância do Minassul Shopping para a cidade e região, evidencia o processo de mudança de hábitos de consumo e fortalece a imagem do empreendimento como o maior centro de compras, lazer e entretenimento do Sul de Minas.

DATA MUNDO – O pessimismo que andou pontuando a idéia do shopping em Poços de Caldas, realimentado por gente que pregou renitentemente a derrota do empreendimento, em sua opinião, já foi dizimado?

SIDNEY SILVA - A idéia de um shopping center fracassado foi totalmente dizimada. Um shopping center precisa de pelo menos 5 anos para atingir um estágio de plena maturação e ainda estamos no terceiro ano do empreendimento com um planejamento comercial de atingir 90% de ocupação da ABL em 2009. Não se pode confundir baixa ocupação com insucesso empresarial. Assim o próprio processo de ocupação do shopping é fator de mudança da opinião de clientes e empresários da região.

DATA MUNDO – Para os críticos mais azedos, o boom que se esperava do Minassul Shopping não aconteceu ainda. Você entende que o entrave psicológico, a anti-publicidade financiada pelo boca-a-boca de empresários opositores, têm sido um adversário maior do que se anunciava? 

SIDNEY SILVA - Entendemos em nossa cultura empresarial não haver disputas comerciais entre o shopping center e empresários locais. Existem evidentemente interesses comerciais a serem defendidos. O Minassul Shopping está ancorado pela C&A, Lojas Americanas, Vila Sul Supermercado, Centerplex Cinemas, Academia, uma praça de alimentação completa, ou seja, temos em nosso mix, hoje, operações com a mesma competência de outros grandes centros, como Campinas e Ribeirão Preto. Logo, não podemos dizer que não houve um boom com o início das operações do shopping center de Poços de Caldas. O que reconhecemos é que ainda não atingimos a plena ocupação de ABL, sendo previstos 90% de ocupação ainda em 2009.

DATA MUNDO – A idéia que é vendida ao comerciante de que o shopping continua sendo a síntese, a imagem da exclusão e que, por isso, afugenta o cliente de perfil menos abastado, tem dificultado, de alguma maneira, a consolidação do Minassul?

SIDNEY SILVA - O Minassul Shopping possui uma ABL de 17.000m2 com área de expansão que o levará a 30.000m2 de ABL. Não existe na cidade de Poços de Caldas e região empreendimento com esta área e efetiva estrutura de shopping Center. Em breve, devemos ter em nossa composição de mix de lojas operações que atendam desde a classe A até a classe C/D. Estamos trabalhando ainda para a implantação de mais uma loja âncora voltada para as classes C/D. Percebe-se, então, que o Minassul foi concebido para atender à população de sua área de influência em sua totalidade, sem segmentação por classe. Então, me parece contraditório afirmar que o shopping center não atende à população de menor renda e, por conseguinte, dizer que isto pode impactar em nossa consolidação comercial.

DATA MUNDO – Para parte da comunidade poços-caldense pode ser que os produtos vendidos no Minassul, em função de seus preços e marcas, sejam inalcançáveis pelos segmentos mais pobres. Você acha que essa percepção já foi resolvida?

SIDNEY SILVA - É uma inverdade afirmar que os preços praticados pelas lojas do Minassul Shopping sejam inalcançáveis pela população de menor renda da região. É verdade que as pessoas tenham por cultura que os preços praticados em empreendimentos com configuração de shopping center tenham preços acima da média de mercado. Este é o grande desafio: mudar o hábito de consumo das pessoas, o que estamos fazendo com êxito em especial no último ano. Assim, os ainda não-freqüentadores do Minassul se utilizam dessa metáfora que shopping center é caro para justificar seus valores com relação aos seus hábitos de consumo em shopping center. Podemos exemplificar as lojas C&A que vendem em seus cartões em 8 vezes com 100 dias para a primeira parcela, Lojas Americanas, com parcelamento em 10 vezes sem juros, operações de alimentação com preços acessíveis, as lojas de uma maneira geral operam com todas as possibilidades de recebimento, cartões, cheques, sendo algumas que ainda não dispensaram a velha caderneta.

DATA MUNDO – Embora a concepção de shoppings pelo mundo inteiro pareça obedecer a um padrão, muito ainda se fala da falta de identidade do Minassul com a região em que se instalou. Acha procedente esta advertência?

SIDNEY SILVA - Esta advertência não é procedente.  O Minassul Shopping é pioneiro no Sul de Minas e Leste Paulista no que se refere à implantação de um empreendimento com as reais características de shopping center, a saber: amplo estacionamento, climatização, segurança, limpeza, um mix de lojas planejado, serviços. Este empreendedorismo vem acompanhado da falta de experiência da comunidade em geral, principalmente por parte dos empresários de varejo da área de influência do shopping center. Cabe dizer, então, que esta identidade com o mercado acontecerá e vem acontecendo com o próprio processo de maturação do shopping center. Como dito em questionamentos anteriores, essa identidade será criada não apenas com investimentos em marketing, mas, sim, com a consolidação do mix de lojas e a mudança de hábitos de compra do consumidor que em nossa região é agravada pela não experiência do mercado com empreendimentos com características de shopping center.  

DATA MUNDO – Os shows e espetáculos oferecidos nos espaços do Minassul parecem, aos críticos enfezados, uma pauta direcionada exclusivamente às classes A e B, deixando de fora a perspectiva da grande massa. Essa avaliação, em seu modo de ver, é injusta, equivocada?

SIDNEY SILVA - Os shows e espetáculos que já ocorreram nas dependências do Minassul Shopping, em sua maioria no estacionamento, não foram oferecidos pelo shopping tão pouco direcionados as classes A e B. Fez parte de nossa composição de mix de lojas, uma casa noturna cujo proprietário atuava também como promotor de eventos. Estes eventos, por sua vez, eram lançados ao mercado como patrocinados pela então casa noturna. Logo, não poderíamos proibir a realização desses shows por estarem vinculados a uma operação do shopping center. Cabe dizer ainda, que estes eventos não remuneravam o shopping center, recebiam autorização da Prefeitura, ECAD, Bombeiros, Policia Militar, eram supervisionados por uma equipe médica e cumpriam  demais exigências legais. Pelas características da cidade que não dispõe de um espaço voltado para a realização de eventos, o shopping center reúne as condições básicas para realização de eventos e ainda tem todas as liberações de Prefeitura e Bombeiros em dia,  despertando então por parte dos promotores de eventos da região interesse na realização de shows em nossas dependências. Nunca houve a realização de um evento com interesses comerciais por parte do shopping. Todos os eventos realizados receberam apenas a anuência do shopping center para utilização do espaço. Atendendo a pedidos da população do entorno do shopping center, desde setembro de 2007, nenhum evento é realizado em nosso estacionamento, a exceção de feiras de animais ou outras atividades relacionadas a gestão de markerting do shopping center, que, por sua vez, não geram poluição sonora ou visual.

DATA MUNDO – O que revelaram os números da aferição, em 2008, do grau de satisfação dos clientes e lojistas alocados no Minassul Shopping?

SIDNEY SILVA - Do ponto de vista de clientes, tivemos, em 2008, mais de 3 milhões de consumidores, um crescimento de 20% no fluxo de pessoas. É evidente o grande número de pessoas que já escolheram o Minassul Shopping como área de lazer, alimentação e consumo. Os números são tão expressivos que somente podemos concluir que o Minassul Shopping já é uma opção comercial para as pessoas que residem em sua área de influência. Dos nossos lojistas podemos dizer, os resultados de vendas são dignos de operação de shopping center. Temos hoje, por exemplo, na praça de alimentação, todos os lojistas com mais de uma operação, lojas em processo de ampliação de ABL para atender a demanda, as âncoras somaram em 2009 um crescimento de 15% igualando suas vendas com os mercados de Campinas e Ribeirão Preto. Estes indicadores mostram a satisfação dos lojistas e clientes no ano de 2008. Foi um ano que marcou o início do processo de consolidação e maturação do Minassul Shopping.

DATA MUNDO – Em outros grandes centros, a mídia tem sido uma ferramenta indispensável ao sucesso do empreendimento shopping. Como os lojistas alocados no Minassul reagem à necessidade desse esforço publicitário?

SIDNEY SILVA - A gestão do marketing do Minassul Shopping é compartilhada com uma entidade intitulada de Associação dos Lojistas do Minassul Shopping que possui em seu corpo diretivo de Presidente, Gestor de Marketing e Financeiro. Possuímos uma área de influência fragmentada, ou seja, para levarmos a informação aos nossos clientes por meios que não a mídia televisiva, temos que criar um canal de comunicação com cada cidade da região, o que em nosso caso particular geram custos ainda maiores. A geração de caixa para as atividades de marketing de um shopping center, e isto é um modelo de mercado, provém de contribuições padronizadas feitas pelos lojistas do shopping center. Isto faz com que, neste momento, tenhamos um caixa disponível incompatível com a dimensão da área de influência do shopping, problema esse que será solucionado quando da total ocupação do shopping center.  A falta de recursos financeiros para a implantação de todo planejamento de marketing é compensada com ações em parceria. Assim, sabemos que temos muito a investir no marketing do shopping center, mas enquanto ainda não dispomos do volume de receita necessário, nosso maior marketing será a qualidade das operações instaladas no Minassul e a satisfação de nossos clientes.

 DATA MUNDO – Na busca pelo sucesso do todo, você entende que o esforço individualizado dos lojistas é algo que deva ser estimulado? Ou prefere ações concatenadas, aquelas que fortalecem o conjunto, à marca única?

SIDNEY SILVA - Entendemos e reconhecemos a importância da força de uma marca e os efeitos que ela proporciona na captação e fidelização do cliente. Não obstante, temos por política a valorização individual do potencial de cada operação. Neste sentido, buscamos operadores especializados na atividade empresarial de varejo, não apenas donos de loja.  Isto faz com que o empreendedorismo do lojista, se traduza em uma força a mais de vendas, fortalecendo a capacidade do shopping center em absorver o mercado de sua área de influência. Esta força individual, analisada por uma ótica coletiva, acreditamos ser tão expressiva quanto à força da marca de um produto e/ou serviço.  Não queremos dizer que o planejamento estratégico, a valorização do trabalho de construção de uma marca não sejam representativas dentro de nosso planejamento comercial, o que na verdade temos por valor é o reconhecimento da força individual de cada operador do varejo no posicionamento de sua marca, por conseguinte, o fortalecimento do shopping center.

 DATA MUNDO – Com que instrumental o Minassul Shopping espera atrair o poços-caldense ao seu mix de lojas no ano de 2009, vez que começa assombrado pela perspectiva de crise?

SIDNEY SILVA - Enxergamos na crise uma oportunidade. Iniciaremos 2009 com sete lojas a serem incorporadas ao nosso mix, estamos em processo de finalização de negociação com uma âncora de reconhecimento nacional para atender o varejo de moda que atua fortemente na classe C, temos ainda em nosso planejamento atingir em 2009, a marca de 90% de ocupação de nossa ABL. A crise atinge em cheio as novas operações no mercado varejista, todos os empreendimentos (Shopping Center) ou pelo menos a maioria que dependem de captação de recursos para sua execução, foram prorrogados para 2010 e 2011. Isto gera no mercado escassez de ABL para locação, e em empreendimentos como o Minassul Shopping, que já tem o investimento da construção realizado, uma oportunidade imediata de locação, o que nos coloca um passo a frente do mercado, principalmente em nossa área de influência, haja vista que finalizamos 2008 e iniciamos 2009 com uma intensa atividade comercial. Isso corrobora nosso pensamento a respeito da crise. Obviamente, respeitamos os impactos que a crise gera em nossa região, como o repasse de renda da população residente no exterior e a crise na mineração. No que se refere à captação de novos clientes e, ainda, manutenção do fluxo diário do Minassul Shopping, temos como estratégia a ocupação de ABL.  A experiência tem nos mostrado que o fortalecimento do mix agrega um incremento no fluxo de clientes e vendas. A exemplo da C&A, após sua inauguração foi mensurado um crescimento no fluxo de clientes em 12%, e para operações de moda já instaladas no Minassul Shopping, em todas se verificou crescimento expressivo.

DATA MUNDO – Sempre que o tema é natal, fala-se em um produto potencialmente campeão de vendas naquele ano. Esse tipo de perspectiva se confirmou no Minassul Shopping no final de 2008?

SIDNEY SILVA - O natal 2008 do Minassul superou todas as expectativas, a começar pela belíssima decoração “Natal dos Doces” desenvolvida por uma das maiores empresas de decoração de shopping do Brasil, a Cipolatti. Seguida da decoração, a campanha promocional “Doce Natal Minassul Visa” foi um sucesso e teve que ser finalizada antes da data prevista devido o encerramento dos brindes promocionais. O resultado final deste Natal é um crescimento de 20% nas vendas e um fluxo de mais de 350.000 mil pessoas.  

DATA MUNDO – Expandir é sempre a regra de quem pretende sobreviver. Que ações expansionistas do Minassul clientes e lojistas podem esperar para o ano que está se iniciando?

SIDNEY SILVA - Nossa meta é atingir 90% de ocupação de nossa ABL em 2009. outrossim, dentro das ações expansionistas do Minassul temos em nosso planejamento estratégico a implantação da expansão de nossa ABL em duas etapas, a serem realizadas no piso superior elevando dos atuais 17.000m2 de ABL para 30.000m2. O aumento de ABL será nossa principal ferramenta para manutenção do sucesso e estarmos sempre a frente no mercado que atuamos.