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EDUARDO CORRÊA MACHADO

Depois de ter residido nos EUA ao longo de vinte anos, ele voltou em 2002 para Poços de Caldas, MG,
para propor um metódo prático e dinâmico do ensino da Língua Inglesa. Leia o importante papo com ele.

DATA MUNDO - Há quem anuncie fórmulas mágicas para o ensino da Língua Inglesa. Vê a intenção de certa publicidade enganosa nesses anúncios?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - As grandes escolas têm um gasto enorme para manter suas portas abertas. Acredito que “anúncios em neon” servem para um primeiro contato, porém tem que haver depois do “oi”, uma pergunta lá do fundo do coração: “o que posso fazer por você”? Nesta hora é preciso que haja sinceridade de ambas as partes.

 DATA MUNDO – Ouvem-se recorrentes denúncias de gente que diz que o modelo tradicional de ensino da língua foi transformado em uma indústria. Esse engessamento proposto pelos cursinhos é bom ou ruim em sua opinião?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - As escolas estabelecem um padrão e procuram segui-lo. Na verdade, em se tratando de classes mistas, este padrão tem que ser abrangente e contemplar o maior número de indivíduos possível.  

DATA MUNDO – Alunos denunciam morosidade de escolas tradicionais no andamento do ensino da língua para, segundo eles, manter o aluno (fonte de renda) na instituição. Acredita que isso, de fato, possa estar acontecendo?
 
EDUARDO CORRÊA MACHADO - Não se faz um bolo redondo em uma forma quadrada. Creio que o aluno deve se inteirar quanto ao tempo que a escola estabelece para cada nível dos cursos oferecidos.  

DATA MUNDO – Ao enfrentar o modelo tradicional existente no mercado, o que você oferece ao aluno que quer seguir o seu caminho e não o já conhecido?
 
EDUARDO CORRÊA MACHADO - Eu não trabalho com grupos de alunos. São aulas individuais e, desta forma, fica fácil perceber as necessidades de cada um e vencer as barreiras que o idioma impõe. Desde o primeiro dia de aula, meu aluno e eu formulamos um trato: Eu vou fazer o meu melhor e você vai fazer o seu melhor. Também deixo claro que não há formula mágica mas, sim, esforço. Quando este conjunto se encontra e se identifica, o resultado é sempre motivo de orgulho.

DATA MUNDO Pela experiência que tem, entende que a faixa etária é uma condição importante no momento em que se decide aprender o idioma inglês?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - A idade não é muito relevante se houver vontade, motivação e tempo para ser dedicado ao estudo. Qualquer possível barreira pode ser quebrada por esse tripé.

DATA MUNDO – Há quem fale em um idioma comercial, outro mais clássico e naquele emergencial para quem vai sair do país. Existem, de fato, essas classificações? Onde fica o limite prático disso na hora de aprender Inglês?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - A linguagem técnica evidentemente existe e deve ser conhecida por indivíduos que dela farão uso. Não devemos ocupar nossos neurônios com informações cujo teor não nos interessa. O inglês clássico é particularmente interessante. No nível de conversação, gosto de incentivar meus alunos a fazerem leituras um pouco mais abrangentes.

DATA MUNDO – O mercado está povoado por alguns professores que oferecem atalhos aos quem têm pressa de, por exemplo, viajar. Os resultados desse aprendizado acelerado são satisfatórios?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - Não se aprende um novo idioma em dois meses de curso. Mas qualquer um pode aprender várias coisas neste período. E isso é melhor do que não ter aprendido nada. Portanto, a pergunta básica ao aluno é: qual é o tempo que você tem?  E a pergunta que faço a mim mesmo é: o que posso eu fazer de melhor para ajudar este aluno com o tempo disponível dele?

DATA MUNDO – Até que ponto o aluno pode, de fato, abster-se de aprender gramática, aprofundando-se, por exemplo, acentuadamente em conversação (e vice-versa)? Isso pode ser administrado de verdade?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - Durante a minha permanência de vinte anos nos Estados Unidos, conheci muitos indivíduos que moravam lá há muito tempo e, portanto, falavam inglês sem nunca terem ido a uma escola. É possível isto? Sim, mas é um inglês questionável, passivo de correções. “Nóis num pode aprende assim, sô”!

DATA MUNDO – Há os que aprendem Inglês sem a pretensão de mudar de país. Por serem bombardeados o tempo todo pela Língua Portuguesa, o que pode ser feito para que o domínio do novo idioma não cesse?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - Estudar um pouco todos os dias. Ler, escrever em inglês, ouvir músicas e assistir a filmes (DVDs) em inglês e não desperdiçar as oportunidades que tiver de praticar o idioma.

DATA MUNDO – A proposta de alguns modelos de trabalharem quase individualmente ou com grupo menores de alunos pode resultar em um ganho verdadeiro no tempo do curso?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - Quanto menor a quantidade de alunos, melhor o aproveitamento em todos os sentidos. Defendo essa postura às custas de experiência própria.

DATA MUNDO – Sente que a proposta defendida por você sofre de dado preconceito mercadológico por não ter o “glamour” das escolas mais badaladas?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - Sei o que faço, como faço, e sei que faço o melhor possível. Não me preocupo com outras escolas, nem mesmo com o “glamour” que várias delas oferecem. Acho mesmo bastante saudável existir pluralidade de escolas e métodos diferenciados, pois as pessoas aprendem de forma diferente umas das outras. É bom que haja opções.  

DATA MUNDO – O fato de um professor ter vivido nos EUA, por exemplo, pode significar um diferencial a ser considerado pelo aluno na hora de escolher a escola em que se matricular?

EDUARDO CORRÊA MACHADO - Não tenho dúvidas com relação a isto, porém o fato de alguém ter vivido no exterior não faz dele um mestre. Ensinar com resultados é uma somatória de tantas coisas! A pedra fundamental, claro, é o conhecimento do idioma e depois começamos a somar: paciência, respeito pelas pessoas, integridade, dedicação, colocar-se no lugar do aluno, motivar, etc, etc.

 DATA MUNDO – (... antes que uma nova pergunta fosse formulada...)

EDUARDO CORRÊA MACHADO - Ensinar, antes de tudo é um dom. Os bons resultados acontecem quando “a pratica é aliada à gramática” e há “brilho nos olhos”. É muito gratificante quando meus alunos se saem bem em entrevistas em inglês nas empresas que trabalham, ou que passam a trabalhar, conseguem um trabalho com boa remuneração fora do Brasil e até mesmo quando passam direto em inglês em seus cursos regulares nas suas escolas.
Afinal de contas, é isto que justifica meu trabalho.