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MARCO TÚLLIO AMBROGGI PRADO
Ele é veterinário diplomado pela  Universidade de Alfenas, MG, e tem em seu currículo o peso de várias especializações feitas na UFMG e na Universidade de São Paulo. Mantém clínica em Poços de Caldas.

DATA MUNDO – Embora esta pergunta devesse ser certamente encaminhada a outro profissional, como você vê a inserção de um animal doméstico na vida de uma família?

DR. MARCO TÚLLIO – O animal quando é inserido com consciência e algum planejamento, só traz benefícios para qualquer família porque estabelece novos níveis de relações.

DATA MUNDO – Num passado nem tão distante, as famílias viam na possibilidade de ter um animal uma porta aberta para um enorme número de prováveis patologias. Em sua avaliação, temores antigos como este já foram superados?

DR. MARCO TULLIO – Sim. Afinal, temos que lembrar que o próprio ser humano também pode contaminar o animal. Pensar que o animal é a única via de patologia é desinformação e grande dose de preconceito. Hoje, entretanto, seguindo as orientações de um médico-veterinário, tanto o animal quanto a família que o recebeu estarão seguros.

DATA MUNDO – A cada dia mais, animais são inseridos nas famílias brasileiras. Em sua opinião, no momento de se determinar um animal a ser adotado, o que esta família deve levar prioritariamente em conta?

DR. MARCO TULLIO – Primeiramente, sem dúvida, ter como foco a chamada “posse responsável”. É bom lembrar, no momento da adoção, que um animalzinho não é inserido numa família por dois meses, mas, sim, por 13 anos em média. O fato de ignorar essa informação pode levar a conflitos futuros e, sobretudo, a grandes prejuízos para o animal.

DATA MUNDO – Como você analisa o modismo recorrente que leva à adoção, cada vez maior, de animais exóticos, como serpentes, lagartos, etc., na estrutura familiar?

DR. MARCO TULLIO – Acho que é uma questão de gosto. Entretanto, a minha opinião é contrária ao hábito de se manter animais exóticos em cativeiro. É bom que nos lembremos de que uma serpente nunca deixará de ser um animal selvagem. E, por isso, num dado momento, num relampejo próprio da sua condição de selvagem, ela pode atacar inesperadamente a família que a acolhe. Honestamente, considero esse um luxo a ser questionado.

DATA MUNDO – Em nome de um amor, às vezes desmedido, animais domésticos passam a ter uma liberdade e direitos que podem até invadir o que seria exclusivamente espaço dos humanos. Essa falta de limites pode ser prejudicial às partes?

DR. MARCO TULLIO – Não, não acho. Penso que, na verdade, esses limites na relação moderna entre os humanos e seus animais estão deixando de existir. Mas isso só é recomendável a partir do ponto que ambos, homem e animal, mantenham a sanidade em dia. Isso quer dizer, entre outras coisas, ter rigoroso compromisso com vacinações, vermifugações, etc.

DATA MUNDO – A assessoria de um veterinário, durante muito tempo, foi vista como uma prestação de serviços de luxo, reservada, portanto, aos mais abastados. Pensa que este conceito está caducando?

DR. MARCO TULLIO – Já caducou, pois, hoje em dia, pessoas de várias classes sociais possuem animais e os tratam da mesma forma e com o mesmo grau de responsabilidade. Aqui em minha clínica, por exemplo, viso sempre ao bem-estar do animal. Isso, sim, é prerrogativo para mim. Vem em primeiro lugar. As outras questões como valor da prestação de serviço, discutem-se depois. É o secundário.

DATA MUNDO – Há quem diga que os animais acometem-se de doenças de comportamento, necessitando de acompanhamento especializado. Você confirma esse enunciado?

DR. MARCO TULLIO – Plenamente. Por mais inusitado que isso possa parecer, o animal é o espelho do dono. Doenças comportamentais dos animais podem ser transferidas por desacertos comportamentais de “seus donos”. Esse é um fator que merece um bom debate.

DATA MUNDO – A mídia televisiva tem mostrado, até com muita insistência, animais “ensinados” capazes de verdadeiras proezas. Onde fica o limite desse treinamento de modo a não ameaçar a verdadeira natureza do animal?

DR. MARCO TULLIO – Não os vejo como animais ensinados porque, na verdade, não são. São, sim, animais condicionados, pois estão, ali, desempenhando papéis que naturalmente não desempenhariam em condições naturais. Exatamente por ver contrariada a natureza comportamental desses animais é que me posiciono contra.  

DATA MUNDO – Um dos medos mais recorrentes é o relacionamento das crianças com os animais dentro de casa. Que riscos e ganhos há, de fato, nesta convivência?

DR. MARCO TULLIO – Só há ganhos, pois o animal é um condutor de benefícios para a família, desde que seja tratado com carinho e respeito. Afinal, ele não é um brinquedo, é um ser vivo. Exemplo: atualmente, animais têm sido usados no tratamento de autismo, síndrome de down e outras tantas doenças, o que reforça o caráter benéfico da sua presença no seio da família. 

DATA MUNDO – Quando se fala de cuidados com os animais, tem-se notícia de uma série de excessivos cometidos por donos apaixonados demais. Neste caso, onde fica o limite entre o necessário, de fato, e o supérfluo?

DR. MARCO TULLIO – Não há limites com cuidados. Isso vai depender das possibilidades financeiras da família adotiva.

DATA MUNDO – A máxima bastante conhecida que diz que “o bicho é a cara do dono” é justificável do ponto de vista do comportamento?

DR. MARCO TULLIO – Sim. Como já foi dito anteriomente, há casos em que trato do animal e do proprietário de modo simultâneo. Isso porque ao animal cabe medicação e, ao seu dono, alguma orientação para que entenda que o animal absorve muito dele. Assim, se ele altera o seu comportamento para melhor, estará contribuindo com a cura mais rápida do seu animalzinho.  

DATA MUNDO – Qual é o sinal mais claro que deve ser percebido pelo criador para que ele se decida pelo assessoramento de um profissional da Veterinária?

DR. MARCO TULLIO – Geralmente, casos de mudança de comportamento dos animais e sinais de dor. Mas seria interessante que o proprietário se educasse a ponto de procurar o veterinário pelo menos duas vezes por ano, independentemente de qualquer sinalização do seu animal de estimação.