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Paulo Henrique Bueno
Ele é engenheiro Agrônomo, formado há 18 anos, e tem especialização em Fitotecnia,
na Universidad de Córdoba, na Espanha. No momento atua pela prefeitura de Carmo do Rio Claro.

DATAMUNDO – Acha equivocado dizer que a contratação do engenheiro agrônomo é uma atitude de luxo, algo reservado exclusivamente aos grandes produtores?

PAULO HENRIQUE BUENO – O sistema econômico-social do paÍs não oferece ao pequeno produtor a oportunidade de contar com assistência exclusiva de um técnico de nível superior em sua propriedade. Não diria que a contratação de um engenheiro agrônomo seja uma atitude de luxo, podemos afirmar que é dispendiosa para uma atividade pouco lucrativa como é o caso da agropecuária.

DATA MUNDO – Qual o perfil do cliente da prestação de serviços denominada Engenharia Agronômica?

PAULO HENRIQUE BUENO – Para iniciar e manter qualquer atividade agropastoril é fundamental que haja a assistência técnica de um engenheiro agrônomo. Sendo assim, todo e qualquer produtor é um cliente em potencial. O pequeno produtor é assistido pelas cooperativas ou órgãos mantidos pelo governo. Aqui em nossa região, quem presta este trabalho é a EMATER.

DATA MUNDO – Existem regiões do Estado, como o norte e nordeste, onde a intervenção do produtor tem sido definitivamente criminosa. Como tem se dado a relação produtor/meio ambiente no sul de Minas?

PAULO HENRIQUE BUENO – As leis constantes do Código Florestal do Estado de Minas Gerais são objetivas, inflexíveis e fiscalizadas de perto pelo Ministério Público. Isso tudo, aliado ao fato de que quase todos os produtores da região têm suas raízes fincadas aqui, leva a uma tendência de conservação muito maior. Está havendo conscientização, principalmente dos mais jovens que sabem exatamente a importância de se manter o equilíbrio ecológico. 

DATA MUNDO – Para algumas opiniões menos especializadas, o ímpeto de se produzir sempre em maiores escalas e a necessidade de preservar são grandezas que dificilmente vão encontrar um ponto de equilíbrio. Você concorda com esta visão?

PAULO HENRIQUE BUENO – A necessidade de alimentação não será maior que a de hoje. A população está crescendo a uma taxa muito pequena e a tendência é manter ou até diminuir ao longo dos anos. Se hoje existe fome no mundo é porque os alimentos são mal distribuídos. Havendo a equalização dos recursos, as terras disponíveis para a agricultura são mais que suficientes.

DATA MUNDO – Propriedades rurais em Poços de Caldas vivem em que estágio? No estágio de meramente ter preocupações preservacionistas ou no estágio de procederem intervenções visando a recuperar muito do que já foi devastado?

PAULO HENRIQUE BUENO – Na grande maioria dos casos não é necessário recorrer a um projeto de recuperação de áreas degradadas, já que a própria natureza se encarrega de consertar aquilo que o homem destruiu. Conforme temos acompanhado ao longo dos anos, quando não há intervenção do homem em um determinado local, em pouco tempo a vegetação, se regenera e ali se estabelece uma bela e exuberante floresta.

DATA MUNDO – O grande problema para se encontrar o equilíbrio é mudar a cabeça do produtor rural, dizem alguns especialistas. O produtor rural do sul de Minas já resiste menos à necessidade de repensar sua relação com o meio?

Resposta – A base sólida do progresso é a educação. Acredito, sinceramente, que estamos caminhando para um processo de maior respeito à natureza, onde todo processo produtivo terá sustentabilidade, favorecendo o equilíbrio ecológico e promovendo a recuperação do que foi degradado. Em Minas Gerais, já nos deparamos com muitos produtores que atentam para a necessidade da preservação ambiental e transmitem estes conceitos para filhos e netos.

DATA MUNDO – Em relação a esta região, já se pode dizer que a conscientização fala mais alto do que o poder coercitivo da legislação ambiental? Ou não chegamos ainda a este nível?

PAULO HENRIQUE BUENO – Infelizmente ainda não chegamos a este nível. Talvez se não fosse pela presença atuante do Ministério Publico e a fiscalização intensa da Policia do Meio Ambiente, grande parte do que hoje se vê preservado, é bem possível que estivesse em situação não muito animadora.

DATA MUNDO – Para alguns produtores, a regulamentação do uso dos mananciais, por exemplo, beira ao “excesso de zelo” de gente que não conhece as dificuldades do meio rural. O senhor concorda com esta análise?

PAULO HENRIQUE BUENO – Já vi pequeno produtor que ficou totalmente impossibilitado de trabalhar em suas terras pelo fato de sua propriedade estar cortada por vários córregos. Sei também de uma fazenda de 160 ha que se transformou em reserva devido ao fato de formar uma península no lago de Furnas.

DATA MUNDO – Há quem afirme que os pequenos produtores rurais (gente envolvida com produção para a quase subsistência) são tão agressivos como quem produz em grande escala. Esta é uma leitura justa?

PAULO HENRIQUE BUENO – Depende exclusivamente do cidadão. O fato de ser grande ou pequeno produtor não determina o nível de consciência em relação ao Meio Ambiente.

DATA MUNDO – Recorrentemente produtores rurais têm reclamado de excesso de burocracia imposto por um Estado “gordo, pesado, improducente e nada parceiro”. Como o senhor se posiciona frente a tal proposição?

PAULO HENRIQUE BUENO – As questões políticas devem ser analisadas de maneira bem criteriosa. Devemos sempre lembrar que o Estado não existe “apartado” dos cidadãos. As leis que vigoram no país são criadas por deputados e senadores eleitos pelo povo. Presidente, governadores e prefeitos são eleitos pelo povo. Penso que não se deve queixar do Estado. Devemos queixar, sim, mas de todos nós que elegemos políticos que não atendem as expectativas da nação. Os culpados somos nós.

DATA MUNDO – O proprietário rural de Poços de Caldas (e em todo sul de Minas) é, de fato, um bom conhecedor da Legislação Ambiental?

PAULO HENRIQUE BUENO – A mídia, principalmente televisa, é um bom veiculo informativo. Os produtores estão bem informados.

DATA MUNDO – O senhor faz eco à idéia de que o Estado, em dadas situações, é excessivamente complacente com os grandes crimes ambientes, mas impiedoso demais com quem comete os pequenos crimes?

PAULO HENRIQUE BUENO – Prefiro não comentar.