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O DATA Privê conversou com o travesti Sabrina, produzindo uma entrevista exclusiva, de alta temperatura e, sobretudo, respeitosa. Aos 19 anos, a entrevistada usa o nome Sabrina Mello de Mônaco, nasceu em Recife, mas vive, hoje, em Pouso Alegre, Minas Gerais.   Modelo, cabeleireira e maquiadora, Sabrina teve uma conversa corajosa com o DATA respondendo a perguntas que todos gostariam de fazer sobre a vida de um travesti assumido.

Aquariana, fã da Xuxa, católica declarada, tem como sonho viajar o mundo e, como projeto profissional, atuar em uma peça de teatro. Afeita a freqüentar bares, cinema e casa dos “verdadeiros” amigos, Sabrina aborrece-se com a generalização – que ela chama de burra e preconceituosa - de que todos os travestis fazem programas.

Por fim, ela autorizou que fossem divulgados telefone – (35) 8842-3450 – e o seu MSN – sabrina_travesti18@hotmail.com -

Leia, aqui, a íntegra do papo que o DATA teve com Sabrina!

 

DATA MUNDO Alguns homofóbicos vêem os travestis como uma verdadeira anomalia. Como vocês, travestis, reagem a esse comportamento?

TRAVESTI SABRINA – Olha, eu reajo da forma que qualquer pessoa reagiria no sentido de se sentir diferente. É uma pena que nos dias de hoje ainda haja um grupinho de pessoas que pensem assim. Mas como eu sou feliz, isso não me abala muito. Sinto-me triste apenas. Sei que a sociedade não nos dá oportunidade (referindo-se aos travestis) no mercado de trabalho. E isso é próprio de quem tem uma imagem equivocada de que todas as travestis são prostitutas!

DATA MUNDONa mídia, travestis costumam dizer que para se fazerem travestis eles precisarem nascer novamente. Isso certamente significou ter que abrir mão de velhos amigos, de família, etc. Com você a história é exatamente a mesma?

TRAVESTI SABRINA - Sim, porque quando me assumi tinha 14 anos, e não foi fácil. Tive que abrir mão de muita coisa. Tive que escolher entre minha família, amigos e minha vida e minha felicidade. Pelo que todos podem ver escolhi minha felicidade!

Sabrina de Mônaco opõe-se ao que chama de preconceito bobo
daqueles que julgam que todo travesti decide viver de programa

DATA MUNDOTravesti tem vida religiosa? Estou me referindo a freqüentar templos, igrejas, etc? E como são (ou como seriam) recebidos em tais locais?

TRAVESTI SABRINA – Sim, eu tenho.  Mas não freqüento, pois é chato você estar num lugar em que sabe que não é benquisto. Mas eu rezo, sim, em casa, sozinha no meu quarto. E não peço somente por mim. Peço pelos que gosto e peço também por aqueles que não têm respeito pelo próximo.

DATA MUNDOQue perfil de homem mais freqüentemente procuram os travestis, seja para programa ou para envolvimentos mais duradouros?

TRAVESTI SABRINA – Olha, o perfil varia muito. Mas posso dizer que dos 18 anos aos os 80, há sempre um homem procurando travestis. Mas o mais comum é o caso dos mais velhos e, sobretudo, casados .

DATA MUNDOOs parceiros que tem tido na vida assumem normalmente papel de ativo ou passivo?

TRAVESTI SABRINA – Não posso responder por tudo mundo. Comigo, entretanto, devo dizer que tenho tido quase que invariavelmente ativos.

DATA MUNDOSe pudesse, faria a cirurgia para mudança definitiva de sexo?

TRAVESTI SABRINA – Sem pensar duas vezes. Faria, sim. Penso que assim me sentiria mais feliz. Não que meu sexo me incomode. Nada disso. Mas mudando de sexo encontraria a completude. E isso é tudo o que o ser humano busca.

Ela se diz religiosa, mas admite evitar frequentar templos ou a
igreja para não virar alvo dos que não suportam as diferenças

DATA MUNDO – O que os travestis pensam da fidelidade, já que vocês são afeitos ao brilho, à noitada, às boates, aos acontecimentos?

TRAVESTI SABRINA - Penso que haja, sim, fidelidade. Mas isso acontece quando amamos e se estamos com a pessoa certa. Entretanto, enquanto não achamos a pessoa certa, vamos tentando com as erradas (risos).

DATA MUNDO – O que, fisicamente falando, você melhoraria no próprio corpo hoje?

TRAVESTI SABRINA – Retocaria umas coisinhas, como o nariz e os seios. E para melhorar ainda mais o conjunto, eliminaria uma costela, sem a qual minha postura teria um ganho de elegância. (Rindo)

DATA MUNDOHá quem imagine que apenas parceiros pobres procuram a companhia de travestis, como se vocês fossem a única via possível para quem não tem grana disponível. Esta é uma visão equivocada?

TRAVESTI SABRINA -        É, sim, uma visão muito equivocada. Pelo menos comigo esse não é um fato comum. Aliás, nunca aconteceu de servir. Pelo contrário.  Mas, com certeza, há casos e casos. Além do mais, essa é uma pergunta muito particular... (risos)

DATA MUNDO– Há casos em que os maridos levam as esposas para relacionamentos íntimos com travestis?

TRAVESTI SABRINA – Sim, há casos, sim. Levam mas eu nunca saí, pois essa idéia não me atrai. Mas já tive vários convites do gênero.

Homens casados, gente importante e até religiosos fazem parte
do perfil dos que a procuram. E admite: já fiquei com religiosos!

DATA MUNDO– Há registro de mulheres que procuram isoladamente travestis para programas e ou relacionamentos mais sérios?

TRAVESTI SABRINA – Claro que há. Comigo já aconteceu, mas essa é uma hipótese completamente descartada.

DATA MUNDO– No campo da pedofilia, vêem-se padres, pastores, religiosos de modo geral, envolvidos. Há proximidades secretas de religiosos com o mundo dos travestis?

TRAVESTI SABRINA – Não sei o que você chama de “proximidades”, mas eu já saí com religiosos, sim.

DATA MUNDO– Você faz programa (e se fizer) quanto custa? E há, de sua parte, um processo seletivo dos seus possíveis clientes?

TRAVESTI SABRINA – Não.

DATA MUNDO– Homens que procuram travestis são, em regra, fiéis? Ou seja, voltam sempre?

TRAVESTI SABRINA – Sim, costumam voltar sempre!

Ela disse que há homens que querem que travestis fiquem com
suas esposas. Ela, entretanto, nunca topou essa experiência.

DATA MUNDO– São comuns propostas de homens que querem um relacionamento mais sério, prometendo montar apartamento, mas exigindo, quase sempre, sigilo absoluto?

TRAVESTI SABRINA – Isso é muito comum em nosso meio, sim. Mas eu nunca aceitei uma proposta como essa. Moraria, sim, com alguém, mas seria preciso que eu o amasse.

 
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