A estréia do Fórum Empresarial Minas Sul ocorreu nesta semana – nos dias 25, 26 e 27 de outubro - e contou com a presença de três conferencistas conhecidos em esfera nacional, os economistas Roberto Macedo e Mailson da Nóbrega e a jornalista especializada em macroeconomia, Salette Lemos.
Organizado pela Sapucaí Consultoria Empresarial – SaCE, o 1º Fórum Empresarial Minas Sul é conseqüência natural das circunstâncias atuais, sobretudo no extremo-sul de Minas, como enfatiza o diretor da SaCE, Evandro Sant´Anna. ´A existência do Fórum é uma conseqüência que eu vejo como natural nesse momento formidável que o sul de Minas está passando, especialmente o extremo-sul, que eu considero Varginha, Extrema, Poços de Caldas, Itajubá e Pouso Alegre no centro do extremo-sul, que é uma situação de muita energia econômica. Então, eu acho que é isso que está acontecendo hoje´.
Evandro observa que hoje há muitos executivos na região e as decisões que estes precisam tomar nos negócios é de alta responsabilidade. Por isso, ´se não tiver muita informação boa, em quantidade e qualidade, realmente a competitividade dessas empresas fica comprometida´, analisa.
Público empresarial
Com foco voltado a empresários e executivos, o diretor da SaCE avalia a participação do público-alvo do evento ao mencionar a qualidade das perguntas feitas aos palestrantes. Exemplifica com os questionamentos feitos ao economista Roberto Macedo, conferencista no primeiro dia de análise das perspectivas para o mercado brasileiro.
´A preocupação que reina na cabeça dos empresários, dos executivos, era tentar entender essa ligação tão direta que tem do mundo todo com a gente aqui. Por exemplo, nós tivemos tsunami no Japão. Aconteceu de empresas daqui de Pouso Alegre cortarem um terço dos funcionários. Mas o tsunami foi lá. Essa preocupação que antes era muito local, muito provinciana, hoje acabou. Hoje a gente entende e precisa ouvir quem conhece, quem estuda o que está acontecendo e porque acontece´, frisa.
Roberto Macedo
Pensar localmente e agir globalmente. É sob esta ótica que o economista alerta para verificação de fatores externos que possam alterar a economia local. No caso de Pouso Alegre, ´aqui está sujeito a ventos que sopram de fora, por exemplo, de São Paulo, assim como o Brasil está sujeito a ventos que sopram da Europa, da China, Estados Unidos. Então, tem que estar de olho nisso, para ver como aquilo te afeta´.
Um dos fatores destacados para ser melhorado é a questão do juro. Roberto Macedo orienta que o juro é baixo para crédito consignado, sendo que o peso do juro, alto, é detectado no empréstimo pessoal e no de capital de giro para as empresas, exemplifica. ´Precisava mexer nisso. Agora, não é uma coisa fácil baixar o juro de uma hora para outra. Tem que ajustar as contas do setor público, o grande devedor da economia, para o setor público ter mais status de crédito, para poder baixar a taxa básica de juro, inclusive ele moderando os gastos dele para fazer um déficit menor´, explica.
Sobre a primeira edição do Fórum Empresarial Minas Sul, disse estar honrado pelo convite e da iniciativa da organização do Fórum em convidar palestrantes que opinam na economia do Brasil. ´Eu fico muito feliz, em particular por ser de Minas Gerais, de uma cidade aqui do Estado que faz eventos como esse com figuras que tem dado palpite na economia nacional´.
Salette Lemos
A jornalista especializada em macroeconomia ressaltou sua surpresa pela iniciativa na promoção do Fórum. Salette comentou que este tipo de evento, com este foco temático voltado ao público empresarial e executivo não é comum de ocorrer. ´Quando me veio o convite para estar aqui, eu falei nossa, o Brasil está amadurecendo mesmo, efetivamente, porque esse tipo de mobilização empresarial, business, cidadania empresarial, é muito difícil você ver no interior de São Paulo, o que dirá no interior de Minas. Quer dizer, isso mostra, sem dúvida nenhuma, um momento muito interessante no Brasil, nesse mundão de negócios´.
Salette Lemos enfatizou a interiorização do crescimento da economia, não só no sul de Minas como em todas as partes interioranas do país. ´Isso acontece em Minas, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina, essa interiorização de empresas, e claro, uma mobilidade social muito interessante, na medida em que as grandes empresas dão esse start e levam toda uma proteção para o interior deste Brasil. O sul de Minas é contemplado por esse movimento´. Como Exemplo, cita a expansão econômica do município de Extrema, com a presença da Kopenhagen, da Centauro e da Garoto.
Ainda nessa meta de interiorização econômica, com a chegada de indústrias de grande porte, disse também que existem outros segmentos que aproveitam esta oportunidade de crescimento e, por conseqüência, acabam se expandindo, como a prestação de serviços. ´À medida que você traz uma indústria, você cria em torno desta estrutura industrial, cria competência de comércio e, principalmente, expansão de serviços, o que está fazendo a diferença na economia brasileira neste momento´.
Mailson da Nóbrega
Outro conferencista de renome nacional, o economista Mailson da Nóbrega comentou a respeito da classe C como ascendente ao consumo. Na observação do economista, a emergência da classe C é uma nova realidade do país, cuja quantificação aproxima de 100 milhões de pessoas nesta classe. ´Esse é o resultado do crescimento da economia, do crescimento da renda, do acesso à informação, do acesso maior à educação. E hoje várias empresas se prepararam para atender esse público´.
De acordo com o economista, a classe C já pensa em consumir produtos parecidos pelos consumidos pela classe A e B. ´Às vezes precisa consumir quantidades menores de produtos´. Por isso, ´você já vê várias empresas brasileiras e multinacionais colocando na sua linha de produtos, no seu planejamento estratégico, servir a classe C, que hoje é uma grande consumidora de transporte aéreo´.
Esta alteração de consumo já vem sendo sentida há cerca de uma década, conforme explica Mailson, ao citar estes dados relativos a novos consumidores comparando-os a uma população de um país. ´Essa é uma realidade que se você considerar as transformações que houve nos últimos 10 anos, é mais impressionante ainda. Nos últimos 10 anos, aproximadamente 50 milhões de brasileiros ingressaram no mercado de consumo e se tornaram uma grande fonte de demanda das empresas. Só para raciocinar, é mais que a população da Argentina´, conclui.
FONTE: TV UAI.
|