Jovens de dez municípios mineiros estão monitorando as águas de rios que banham comunidades rurais onde vivem. A ação faz parte do projeto Monitoramento de Recursos Hídricos, uma parceria entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e a Embrapa Gado e Leite. A iniciativa, que permite aferir a qualidade das águas duas vezes por mês, é considerada inédita pela participação de adolescente na faixa etária de 15 a 17 anos. ´Existem projetos de monitoramento semelhante, mas nenhum tem adolescentes como monitores ambientais´, revela o coordenador do projeto e pesquisador da Embrapa, Marcelo Henrique Otênio.
O pesquisador explica que a intenção é que os jovens se tornem referência em preservação do meio ambiente e contribuam para garantir sustentabilidade à atividade agropecuária, que necessita de água para a própria manutenção. ´Mas o importante do projeto, é que ele (jovem) se sinta engajado na preservação do meio ambiente´, pondera. Em troca, os monitores recebem mensalmente uma bolsa de R$ 100 da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). O valor é depositado na conta de cada monitor e segundo Otênio, é um reconhecimento pela participação deles em um projeto científico.
A seleção e o acompanhamento dos jovens é da Emater-MG, que participou da escolha dos estudantes de ensino fundamental e médio, em escolas públicas municipais. Além disso, a empresa pública mineira contribuiu com palestras, na capacitação de cinco dias, no campo experimental da Embrapa, em Coronel Pacheco, e na divulgação do projeto nas comunidades. Enquanto durar o trabalho, previsto para dois anos, a Emater-MG também dará suporte técnico. O coordenador técnico regional de Meio Ambiente da empresa, Gilberto Malafaia de Oliveira, explica que o projeto quer envolver os estudantes na área ambiental de forma prática. ´Assim ele entende o porquê da preservação. E ainda há o envolvimento da família do jovem, que também é incentivada a preservar´, ressalta.
O monitoramento da água é feito sempre no mesmo ponto do rio. E os jovens já utilizam um kit para aferir a qualidade do recurso hídrico. O equipamento, que ganharam após o período de capacitação, possibilita a análise completa da água, conforme determina a Portaria 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que prevê a classificação dos rios em cinco níveis de preservação. Os dados coletados são colocados em um formulário e enviados aos escritórios locais da Emater-MG, de onde são encaminhados à Embrapa, que estudará mais profundamente as condições dos rios.
´A minha função vai ser conscientizar a população para a preservação ambiental. Antes, na minha comunidade, havia muito mais diversidade de peixes´, testemunha Valdney Siqueira da Roza, um garoto de 15 anos, morador da comunidade Santo Antônio, do município de Bocaina de Minas. ´Tenho uma boa relação com todos na comunidade, principalmente com produtores que estão nas margens dos rios. Então, a partir disto, posso pedir a preservação´, aposta Danylo Victor Almeida, 15 anos, de Bom Jesus do Vermelho, em Santa Rita de Ibitipoca.
Unidades demonstrativas e georeferenciamento
Quatro monitores ambientais, dois do município de Alagoa e dois de Lima Duarte, junto com os técnicos da Emater-MG, também ajudarão na escolha de quatro propriedades rurais para sediar unidades demonstrativas. As propriedades devem estar situadas no entorno do Parque do Papagaio (Serra da Mantiqueira) e do Parque de Ibitipoca (próximo de Lima Duarte). As áreas, que englobam municípios da Zona da Mata e do Sul de Minas, estão localizadas, ainda, próximo ao ponto do rio analisado pelo jovem.
De acordo com o coordenador do projeto, Otênio, a proposta é escolher produtores que tenham atitudes positivas ou estejam abertos ao gerenciamento de recursos hídricos, como recuperação de mata ciliar e de nascentes. ´Temos a intenção de montar modelos de boas práticas para a gestão de recursos hídricos. E aí vamos subsidiar este produtor com mudas, insumos, cerca. Junto com a Emater realizaremos excursões de produtores para que visitem aquelas unidades demonstrativas´, informa.
Outra novidade do projeto é que cada ponto escolhido pelos jovens para o monitoramento de águas vai ser georreferenciado. Ou seja, os pontos de coleta de água para a análise serão marcados com GPS. Assim, o projeto vai poder comparar imagens de satélites destes locais, analisando a cobertura vegetal e a exploração agropecuária.
´Faremos uma oficina, em Juiz de Fora, no próximo ano, onde vamos juntar todos os envolvidos no projeto para classificar estes rios e avaliar, em cada imagem, a cobertura vegetal e por que determinado rio tem uma boa ou ruim qualidade de água, e os motivos disso acontecer´, explica Otênio. Com as imagens de satélite, vai ser montando, ainda, um site e quem acessar a página, poderá conferir as imagens dos pontos de análise de água e ver os resultados do projeto, segundo o coordenador.
Os municípios incluídos no projeto são: Alagoa, Bias Fortes, Bocaina de Minas, Carvalhos, Ibertioga, Lima Duarte, Olaria, Pedro Teixeira, Santana do Garabéu e Santa Rita de Ibitipoca. No total, 17 comunidades rurais estão sendo contempladas. O programa envolve as unidades regionais da Emater-MG em Juiz de Fora, Lavras e São João del Rey.
Exemplos de ações em favor da preservação de tão importante bem como a água, têm sido uma constante nos trabalhos que a Emater-MG realiza em todo o estado. Segundo o presidente José Silva Soares a responsabilidade ambiental é hoje uma das diretrizes da empresa. ´Atuar de forma a garantir a preservação e conservação ambiental é fundamental para construirmos uma sociedade sustentável. Conscientizar e educar os jovens para a sustentabilidade ambiental é um passo importante para garantirmos um ambiente melhor para as próximas gerações´, argumenta.
|