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MEIO AMBIENTE EM ESTIVA
Em Estiva, a Semana do Meio Ambiente incluiu caminhada até o Carapuça
e também se marcou por alguns homenagens feitas a algumas pessoas importantes. Leia!

Da Caminhada Ecológica surgiu a Semana do Meio Ambiente de Estiva. Até ano passado foram quatro anos de realização da Caminhada ao Carapuça, até que os organizadores resolveram complementar o evento e abrir espaço para mais pessoas participarem. À frente da organização, Guilherme Abraão conta que desta vez serão três dias de atividades, de 4 a 6 de junho (veja programação abaixo). Além de fazer seu papel conscientizador, a Semana do Meio Ambiente homenageia Euzébio Messias de Andrade e Guilherme explica o porquê.

“O senhor Euzébio Messias de Andrade, nasceu e cresceu em Estiva, foi um homem simples, mas, que tinha sonhos, lutava e acreditava em seus ideais, principalmente em defesa do meio ambiente. Em sua casa ele sempre fazia mudas de árvores, ele sempre doava as mudas às pessoas”.

Para Guilherme falar em meio ambiente não tem sentido senão colocar o assunto em prática. Por isso resolveu ampliar as atividades para que mais pessoas possam participar sobre um assunto de relevância mundial e também colocarem a mão na massa, tudo isso aliado a um toque de cultura. ´Fomos adquirindo experiência e começamos a perceber que poderíamos fazer mais do que uma simples caminhada, e que tínhamos que envolver o maior número de pessoas, sabemos que muitas pessoas não podem participar da caminhada ao Carapuça, mas, se tivessem outras atividades elas poderiam participar, principalmente atividades culturais´.

Uma observação de suma importância é feita por Guilherme ao mencionar que ´temos que romper com a falsa idéia de que defender a natureza se limita ao ato de plantar árvores ou fazer denúncias quando ocorrem crimes ambientais, podemos lutar de diferentes maneiras e com diferentes armas´.

Cita algumas das inúmeras possibilidades de ações em prol à natureza, desde as mais básicas possíveis até àquelas que envolvem uma comunidade inteira. ´As mais simples são mais fáceis de realizar, seja economizando água, luz, reduzindo a produção de lixo, consumindo menos, separando seu lixo, plantando árvores, denunciando crimes e outras´, ressaltando que, ´apesar dos grandes poluidores e grandes responsáveis pela destruição do meio ambiente em muitos casos não é o João que mora na esquina de nossa casa e lava seu carro todo sábado. Ele também é responsável, mas, e os grandes? E as grandes corporações industriais, o agronegócio e o próprio Estado? Não podemos jogar toda culpa na população, ela também é responsável, mas existem grandes empresas que poluem muito mais que cidades inteiras e mesmo assim toda a responsabilidade é colocada nas costas do povo´.


Ainda há chão

Guilherme faz uma análise do quando falta para chegar a um nível satisfatório de preservação e cita exemplo de retrocesso ambiental ocorrido em estado do sul do país. ´Não quero ser tão pessimista, mais falta muita coisa, o país tem avançado em alguns setores, porém, em outros, ocorre retrocesso, como caso de Santa Catarina. O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique Silveira, deu a largada ao usar sua maioria na Assembléia Legislativa para aprovar um código florestal estadual que, entre outras afrontas à Legislação Federal, reduziu para cinco metros a faixa de proteção das matas ciliares, isso é absurdo, é inaceitável, e o pior é saber que existem outros governadores que querem seguir o exemplo, querem mudar leis para beneficiar o agronegócio´.

Ainda tratando de políticos, cita a falta de vontade política e por isso o meio ambiente é posto de lado, conseqüentemente há pessoas culpando os ambientalistas. ´Causa medo saber que pessoas pensam que o país não se desenvolve por causa de nós, ambientalistas´, desabafando ao referir que ´o país não desenvolve por inúmeros motivos, acredito que principalmente por causa do modelo econômico adotado, e sem querer reduzir a discussão, um fato evidente que impede o crescimento é a própria corrupção dos nossos governantes´.

No parecer de Guilherme, o caminho é a educação, mas faz uma ressalva, ´não podemos falar do meio ambiente nas escolas só no dia dele, a educação ambiental tem que estar presente durante toda vida escolar!´

Adesão

O bom deste trabalho é poder contar com quem quer a salvação ambiental. É o caso de comerciantes locais e da Associação dos Amigos da Cidade de Estiva. ´A associação é sem dúvida nossa grande parceria, sem ela tudo seria mais difícil ou até impossível de acontecer´. A ajuda vem de várias maneiras, como doação de mudas, lanches e frutas.

As atividades são organizadas conforme as possibilidades alcançadas pelo grupo organizador. ´Temos o pé firme no chão, buscamos organizar atividade que temos condições de realizarmos, com apoio ou sem o apoio, estamos organizando pequenas coisas, mas, que darão resultados. Nossa cidade é tão pequena e, mesmo sem apoio estamos realizando uma Semana do Meio Ambiente´.

Guilherme frisa acerca do diferencial de atividades realizadas. ´Pode-se contar nos dedos as cidades da região do sul de Minas ou até do próprio estado que estão realizando atividades como esta´. Cita também o descaso dos políticos, mencionando-os como desastre, ´não concretizam suas palavras, é deixado de lado o respeito ao meio ambiente, muitas ações se limitam aos planos de governo, mas a prática nunca vem. Isso cansa, não temos muito tempo, realizar esta semana é sem duvida provocar o debate e principalmente alertar a sociedade e dar um puxão de orelha em nossos políticos´.

O coordenador da Semana do Meio Ambiente de Estiva faz um apelo, ´de pedir ajuda, existem pessoas e empresas maiores, principalmente em Pouso Alegre, que poderiam ser nossos parceiros´. Devido ao pouco apoio adquirido não foi possível, por exemplo, contratar equipamento de som. ´Espero que no próximo ano tenhamos mais apoio para realizar algo maior´.

Euzébio Messias

Homem simples e que lutava pelas causas ambientais, Euzébio Messias de Andrade tem história. Foi Conselheiro Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Estiva e durante esta fase da vida de seu Euzébio ocorreu um fato que virou entrevista de revista regional, como conta Guilherme. ´Recordo de uma briga por causa dos porcos que eram criados no lixão, que fica no Bairro Itaim. Ele era contra, queria resolver o problema do lixo e retirar os porcos do lixão, ele deu uma entrevista para uma revista de circulação regional, tenho até hoje guardado um exemplar em casa´.

Seu Euzébio faleceu em 2002, ficando o exemplo de homem sério e sonhador. ´Temos-o como exemplo a ser seguido. Não podemos deixar que os sonhos dele se percam com o tempo. Realizar uma semana do meio ambiente e dar o nome do senhor Euzébio é uma maneira de continuar uma luta que ele começou muito antes de mim, já que eu nasci em 1989´.

´Essa homenagem é algo simples, mas não temos o direito de esquecer seu Euzébio. Ele semeou as primeiras sementes, hoje estamos semeando outras e, se estamos organizando um evento como esse ele também é responsável, ele deu os primeiros passos dessa longa caminhada, agora estamos continuando, temos o orgulho de homenageá-lo´, destaca Guilherme.

Surgimento do dia do meio ambiente

Como lembra Guilherme, a data é simbólica no sentido político e histórico e foi criada exatamente quando ocorreu a abertura da I Conferência Mundial do Meio Ambiente da ONU sobre Meio Ambiente, em 1972, em Estocolmo. ´Mas acho que não devemos comemorar simplesmente, ainda temos muitos problemas ambientais, temos sim que utilizar a data para lembrar exatamente esses problemas e buscar soluções para resolvê-los´.

O ambientalista acha pouco apenas colocar a data no calendário, ´temos que lembrar o meio ambiente todos os dias do ano, nossa postura e as práticas de respeito ao meio ambiente não podem ser apenas em determinados dias do ano, elas têm que ser cotidianas. Acho que devemos justamente utilizar o dia 5 de junho para dizer que este é um dia comum e que o verdadeiro dia do meio ambiente são todos os outros. Precisamos mudar nossos hábitos e buscar práticas que respeitem o meio ambiente´.

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